25 anos da Eco: como quatro sócios formaram uma construtora de referência

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Os quatro sócios da Eco Construtora reuniram trajetórias improváveis. Da esquerda para a direita: Pedro César, Francisco Cavalcante, Leonardo Bronzeado e Carlos Feitosa Eco Construtora No bairro que se tornou símbolo de uma cidade que cresce em direção aos arranha-céus, uma máquina prepara mais um terreno para erguer o empreendimento que fará muita gente olhar para cima, admirada. No Altiplano, o desenho do Eco Opus revela em linhas sinuosas a evolução do padrão construtivo da Eco Construtora. Quando completa 25 anos de história, a empresa desenvolve o projeto desse prédio de 39 pavimentos e evidencia o trabalho de uma equipe liderada por três paraibanos e um cearense de origens e formações distintas, mas com um sonho em comum. A sofisticação imponente do Eco Opus não faz supor que a história da empresa começou a partir da reunião improvável de quatro destinos na Paraíba. Hoje, quem circula pela região da avenida Rui Carneiro, em João Pessoa, encontra uma paisagem que já incorporou naturalmente a presença de grandes empresariais, clínicas, torres residenciais e edifícios de alto padrão. Entre eles, o Eco Medical Cartaxo e o Eco Business se tornaram referências de uma cidade que, nas últimas duas décadas, acelerou para além de suas fronteiras seu processo de valorização e expansão imobiliária. É difícil imaginar, diante dessa escala, que parte desse percurso começou dentro de um Celta vermelho. O carro, estacionado entre canteiros de obra, funcionava como escritório improvisado de uma construtora que ainda nem tinha teto próprio. Dentro da sede volante, cabiam contratos, plantas, visitas, contas, reuniões e um projeto que ainda parecia grande demais para os quatro homens de caminhos improváveis: um bancário, um engenheiro agrônomo, um profissional de tecnologia e um comerciante de automóveis, que também fez carreira em instituições bancárias. Engenheiro agrônomo, Francisco Cavalcante, o Tiquinho, iniciou sua trajetória na construção civil de forma prática, antes de fundar a Eco. “Comecei fazendo uma casa, depois fui construindo outras. Fiz uma rua de casas. Construía e vendia”, relembra. Eco Construtora O começo no Celta vermelho Essa história começa antes mesmo de existir a ideia de uma empresa. O primeiro escritório da Eco Construtora na verdade teve sede na mente de Francisco Cavalcante, o Tiquinho, que nasceu na menor cidade da Paraíba: Carrapateira, no Sertão do estado. Ele saiu de lá para estudar engenharia agronômica em Areia e depois passou a trabalhar no interior do estado, virando construtor de maneira prática e circunstancial. Francisco Cavalcante precisava erguer uma casa para morar perto do trabalho e acabou descobrindo ali uma atividade que começaria a ocupar espaço cada vez maior na sua vida. “Comecei fazendo uma casa, depois fui construindo outras. Fiz uma rua de casas. Construía e vendia”, lembra Tiquinho. Com um tino nato para os negócios, ele mantinha paralelamente uma loja de automóveis em Cajazeiras. Antes disso, ainda jovem, também ajudava a família em atividades informais para complementar a renda enquanto estudava. Comprava galinhas trazidas do Sertão, muitas delas vindas de São José de Piranhas, e revendia uma parte dos animais no tradicional Mercado da Torre. Outra parte, ele mesmo comercializava de porta em porta nos bairros da cidade. “Eu e meu pai saíamos vendendo durante a semana”, recorda. A lembrança ajuda a explicar uma característica que os outros sócios frequentemente associam a ele: o seu poder de convencimento e sua obstinação. Carlos Feitosa conciliava a rotina como bancário com as primeiras obras da construtora, acompanhando os canteiros após o expediente. “Tudo começou de forma muito orgânica, com muita dificuldade, mas também com muito sonho”, afirma Eco Construtora O encontro entre dois futuros sócios Foi em Cajazeiras que a trajetória dele se cruzou com a de outro sócio da Eco: Carlos Feitosa, funcionário de carreira no Banco do Brasil numa época em que o ofício bancário carregava forte ideia de estabilidade e prestígio profissional. Natural de Barro, no Ceará, formado em matemática pela Universidade Federal da Paraíba, no campus de Cajazeiras, ele também nutria o mesmo interesse pela construção civil e decidiu começar construindo a própria casa no interior. “Desde aquele tempo eu alimentava o sonho de ter uma construtora”, conta. Quando Tiquinho decidiu se mudar definitivamente para João Pessoa para acompanhar os estudos dos filhos, procurou Carlos no banco e conversou sobre os planos de construir na capital. Já saíram da agência com um plano: os dois começariam com pequenos empreendimentos em bairros emergentes como Bancários e Bessa. Carlos ainda conciliava as obras com a rotina bancária e acompanhava os canteiros no horário do almoço e depois do expediente. Foi nesse período que o Celta vermelho mais rodou pela cidade. “O Celtinha começou logo no primeiro prédio dos Bancários”, lembra Carlos. “Eu saía do banco e ia direto para a obra. Tudo começou de forma muito orgânica, com muita dificuldade, mas também com muito sonho.” Aos poucos e de forma contínua, o crescimento da pequena construtora precisaria de um reforço, de mais um alicerce para impulsionar esse crescimento. A solução viria de uma pessoa próxima e também sem formação inicial em engenharia civil. Formado em Ciência da Computação, Leonardo Bronzeado entrou na história da Eco primeiro como cliente e depois como sócio, ajudando a consolidar o modelo de obra por administração. “A maior vantagem era a segurança”, destaca Eco Construtora O cliente que virou sócio Foi quando o pessoense Leonardo Bronzeado entrou nessa história. Entrou primeiro como vizinho e depois como cliente da construtora de Carlos e Tiquinho. Formado em Ciência da Computação, com MBA pela Universidade do Porto, Leo vinha do setor de tecnologia e já trabalhava desde muito jovem. Aos 16 anos, começou a atuar profissionalmente, acumulando experiências em diferentes setores da sociedade e desenvolvendo programas em vários estados do país. Em João Pessoa, ele destinava parte da renda com esse trabalho em TI na criação de caprinos. Para ele, o investimento no setor imobiliário seria impensável naquela época. Leonardo havia tido uma experiência malsucedida nesse mercado. Anos antes, havia comprado um apartamento ainda na planta em Manaíra, pago todo o imóvel à vista para, em seguida, ver a construtora quebrar e abandonar o projeto durante a realização da obra. “Tive que fazer novos aportes para conseguir concluir o apartamento”, lembra. “Foi uma experiência muito traumática.” A frustração não ficou apenas no prejuízo financeiro. O episódio alterou profundamente a forma como ele passou a enxergar o setor imobiliário. Quando Tiquinho começou a insistir para que ele comprasse uma unidade no residencial Vila Galé, em Camboinha, Leonardo resistiu justamente por causa desse histórico. “Tiquinho me encontrava no prédio, dentro do elevador, onde me visse e insistia praticamente todos os dias”, conta, rindo. “Mas eu vinha dessa experiência muito negativa com a incorporadora.” Coincidentemente, Carlos também havia perdido dinheiro no mesmo empreendimento que fracassou. A identificação criada ali aproximou os dois e a confiança fez de Leonardo um cliente da construtora de seus vizinhos. A compra do apartamento no residencial Vila Galé acabaria funcionando não apenas como investimento, mas como ponto de encontro de pessoas que compartilham de ideias semelhantes sobre o modelo de administração dos empreendimentos na cidade. A aposta no modelo a preço de custo A convivência acabou transformando a relação de cliente em parceria. Depois do Vila Galé, Leonardo passou a investir em novos terrenos ao lado de Carlos e Tiquinho, inicialmente nos Bancários e depois em outras áreas da cidade. O que começou como participação pontual em alguns negócios evoluiu para a entrada definitiva na sociedade da construtora. Foi nesse período que a experiência malsucedida os levou a apostar de forma mais consistente no modelo de obra a preço de custo, ou administração por condomínio — um sistema que havia perdido força na Paraíba, mas que os sócios decidiram resgatar e reorganizar. No modelo tradicional de incorporação, a construtora assume praticamente todo o risco financeiro da obra. Se houver desequilíbrio econômico, paralisações ou quebra da empresa, compradores podem acabar absorvendo prejuízos severos. Já no sistema por administração, os futuros proprietários participam diretamente da formação do condomínio da obra e acompanham os custos reais da construção. Além de permitir uma redução significativa nos preços finais — muitas vezes entre 25% e 35% —, o modelo distribuía melhor os riscos e dava mais transparência ao processo. Para Leonardo, esse foi o principal diferencial. “As pessoas enxergam primeiro a economia, mas para mim a maior vantagem era a segurança”, afirma Leonardo. “Se acontecesse algum problema com a construtora, os próprios condôminos poderiam contratar outra empresa e concluir o prédio. Isso diminuía muito o risco de perder tudo.” Carlos considera que o grande ponto de inflexão da empresa foi justamente conseguir reintroduzir esse modelo no mercado de alto padrão com credibilidade. “A gente recriou um sistema que tinha perdido força e mostrou que ele podia funcionar com transparência”, resume. Depois de a Eco já ter se tornado o principal foco da carreira profissional dos três sócios, a construtora seguia seu ritmo constante de crescimento e almejando passos mais desafiadores. E mais um alicerce foi procurado para completar a base da empresa. Bancário, Pedro César se aproximou da Eco após investir em um empreendimento da construtora e passou a integrar o grupo em um momento decisivo de expansão. “Mais do que crescer, a preocupação sempre foi consolidar aquilo que construímos ao longo desses anos”, afirma Eco Construtora O quarto sócio entra no projeto É nesse momento que Pedro César chegaria. Nascido em Monteiro, no Cariri paraibano, ele também tinha trilhado desde cedo uma carreira que todos valorizavam em sua cidade. Formado em Contabilidade, aos 18 anos, Pedro já trabalhava no Banco Itaú, passando mais de uma década no setor bancário antes de migrar para o comércio de automóveis. Filho de comerciante de material de construção, ele cresceu convivendo com fornecedores, depósitos e ouvindo dentro de casa desde a infância conversas sobre tudo que se precisa para construir um lar. Pedro também se aproximou de Carlos e Tiquinho quando se tornou cliente de sua construtora. “Eu investi no Vila Galé e passei a conviver muito com Carlos e Tiquinho”, lembra. “Éramos vizinhos, e caminhávamos quase todos os dias na praia de manhã. Foi surgindo uma amizade muito forte”. No ritmo das caminhadas em Camboinha, os encontros passaram a misturar conversas sobre mercado, família, obras e futuro. A proximidade fez perceber aos três sócios que o perfil da pessoa que eles queriam ao seu lado para viabilizar o crescimento da Eco estava bem próximo deles. Pedro foi convidado inicialmente para participar do Residencial Mississipi, lançado em 2007 em Camboinha. O quarteto agora tinha uma missão, lançar um empreendimento corporativo como nunca havia sido realizado no estado e pelo qual a empresa é mais conhecida entre a população: o Eco Medical Center Cartaxo. “Quando fomos lançar o Eco Medical, percebemos que precisávamos ampliar o grupo”, lembra Tiquinho. “Era um projeto grande demais para a gente tocar sozinho.” O prédio levaria a empresa para outra escala: um empresarial de 28 pavimentos, com 212 unidades entre salas, lojas e sobrelojas, erguido em Miramar. O Eco Medical Center Cartaxo e o Eco Business marcaram a entrada da Eco Construtora em projetos corporativos de grande porte, ampliando a escala da empresa e ajudando a redefinir o eixo empresarial e médico da avenida Rui Carneiro, em João Pessoa. Higor Pereira/Eco Construtora O sucesso do Eco Medical alterou não apenas o porte da empresa, mas também o fluxo urbano da região. Anos depois, viria o Eco Business Center, também em Miramar e 30% maior: uma torre corporativa de 26 pavimentos e 322 unidades entre salas e lojas, construída após a aquisição gradual de casas vizinhas que permitiram ampliar o terreno. Os dois empresariais ajudaram a criar o eixo corporativo da avenida Rui Carneiro e reposicionaram o centro de atendimento médico em João Pessoa. “O Eco Medical foi um colosso para a gente naquele momento”, resume Leonardo Bronzeado. “Era um empreendimento muito grande para uma empresa que ainda tinha poucos anos de trajetória”. Mas, para os sócios, uma outra mudança se desenhava a partir da expansão da empresa: a entrada no concorrido mercado de alto padrão da cidade. Lançado em 2010 no Brisamar, o Arpoador marcou a entrada definitiva da empresa nessa nova fase: uma torre com 30 unidades, um apartamento por pavimento, quatro suítes e cerca de 214 metros quadrados por unidade. A entrada no mercado de alto padrão Esse foi o cartão de visitas que a empresa apresentou ao adentrar nesse mercado. Até então, a construtora estava acostumada a edifícios de sete ou oito andares. O Arpoador elevava não apenas a escala da obra, mas também a complexidade técnica, financeira e simbólica do negócio. “Foi nosso primeiro grande projeto”, diz Leonardo. “Para uma empresa que ainda era relativamente jovem, aquilo era um desafio enorme.” Carlos enxerga o Arpoador como o momento em que a empresa fez essa migração sem abandonar o modelo de administração por condomínio. Mais do que lançar um prédio sofisticado, tratava-se de provar que era possível unir qualidade construtiva, transparência financeira e custo controlado. Mesmo depois do crescimento acelerado de João Pessoa nas últimas décadas, os quatro sócios não miram em uma expansão agressiva. Nenhum deles menciona metas grandiosas de mercado. Nenhum usa linguagem típica de grandes grupos empresariais. O discurso deles, sempre muito próximo de clientes e funcionários, gira quase sempre em torno de permanência, consistência e responsabilidade. O Arpoador marcou a entrada definitiva da Eco Construtora no segmento de alto padrão, representando um salto de escala, complexidade técnica e posicionamento da empresa no mercado imobiliário de João Pessoa. Eco Construtora Crescimento gradual como filosofia “Crescer apenas para aparecer nunca foi um objetivo da empresa”, diz Francisco Cavalcante. Os quatro sócios falam da expansão da construtora sempre de forma cautelosa, diante da ideia de crescimento acelerado como fim em si mesmo. Em seus planos para o futuro da Eco, Pedro César prefere usar a palavra “consolidação”. Diz que, mais do que multiplicar operações, a preocupação sempre foi estruturar aquilo que foi construído ao longo de 25 anos sem romper a lógica gradual que marcou a trajetória da empresa. Leonardo Bronzeado costuma insistir na mesma ideia ao falar da busca por qualidade. “A Eco nunca teve DNA de vaidade”, afirma. “A gente procura fazer empreendimentos de qualidade, mas valorizando cada centavo investido, sem aquela preocupação de impressionar apenas por impressionar.” Carlos Feitosa resume essa cultura de maneira mais direta e que está presente no discurso de todos. Para ele, a empresa continua sustentada pelos mesmos princípios do início: “base familiar, austeridade, respeito ao próximo e a Deus”. Quando falam sobre realização pessoal, os quatro raramente recorrem ao tamanho da empresa ou ao volume dos empreendimentos. Leonardo prefere mencionar os profissionais que cresceram dentro da construtora e os clientes que voltaram a investir em novos projetos ao longo dos anos. “Isso é o que mais me deixa feliz”, afirma. “Perceber que a Eco fez diferença na vida dessas pessoas e que elas continuam acreditando na empresa é o que mais me deixa grato por fazer parte desse projeto.” Depois de ter um Celta vermelho como escritório improvisado nos primeiros anos da empresa, a moderna sede da Eco Construtora hoje está localizada no bairro de Manaíra, em João Pessoa. Max Brito/Eco Construtora O que os sócios consideram legado Carlos fala da credibilidade construída junto a fornecedores, clientes e colaboradores como um patrimônio difícil de mensurar. “Confiança e credibilidade são ativos que não têm preço”, resume. Pedro retorna com frequência à ideia de aprimoramento contínuo: “fazer amanhã melhor do que foi feito hoje”. “Isso é uma busca constante dentro da empresa”, diz. “Se a gente conseguir consolidar tudo o que plantou ao longo desses 25 anos, eu já me sinto satisfeito.” Já Francisco costuma tratar a própria trajetória de maneira simples, sem transformar o percurso em símbolo de ostentação de sucesso. Quando olha para a empresa hoje, prefere resumir a história à combinação entre “coragem, dedicação, honestidade” e ao encontro com os outros sócios. “A gente conseguiu formar uma equipe no mesmo nível de responsabilidade e confiança que nos uniu”, afirma. Hoje, João Pessoa mudou de escala. Os bairros mudaram. A construção civil também. Mas, entre os quatro sócios, permanece a sensação de que a empresa foi construída menos por grandes viradas e mais por continuidade — uma trajetória feita de encontros improváveis, escritórios volantes, caminhadas na praia, clientes que viraram sócios, modelos de negócios seguros e decisões tomadas sem pressa. “Tijolo por tijolo”, como repete Leonardo. Talvez seja essa a imagem que melhor explique a trajetória da empresa: não a de uma ascensão repentina, mas a de uma construção compartilhada, erguida ao longo do tempo por quatro pessoas que chegaram à construção civil vindos de mundos muito diferentes — e que transformaram amizade, prudência e insistência numa forma própria de permanecer.

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/especial-publicitario/eco-construtora-eco-construcoes-e-incorporacoes/noticia/2026/06/03/25-anos-da-eco-como-quatro-socios-formaram-uma-construtora-de-referencia.ghtml


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