Cantar, correr, comer: o que acontece no cérebro quando a gente age durante o sono
25/06/2026
(Foto: Reprodução) Vídeos de mulher cantando enquanto dorme viralizam
Divulgação
Vídeos de uma mulher que aparece dormindo, levanta no meio da madrugada, abre os olhos e começa a cantar músicas inteiras estão viralizando nas redes sociais. Médicos explicam que é possível apresentar comportamentos como andar, falar e até comer durante o sono.
Apesar do sonambulismo ser o diagnóstico mais conhecido — quando a pessoa se levanta, caminha e age durante o sono profundo, sem consciência do que faz —, ele não é o único transtorno capaz de provocar comportamentos incomuns à noite.
😴 No transtorno comportamental do sono REM, a pessoa age conforme o que está sonhando: se sonha que canta, canta; se sonha que corre, corre.
Os dois quadros podem parecer semelhantes, mas têm origens e mecanismos completamente diferentes. O que os especialistas alertam é que ambos exigem avaliação médica. Isso porque se movimentar durante o sono, sem consciência do que está acontecendo, pode ser um riscos à segurança da própria pessoa.
Além disso, esses transtornos prejudicam a qualidade do sono e podem levar a fadiga crônica, dificuldade de concentração e impactos na saúde mental.
Quero Saber: O que provoca o sonambulismo?
O que é o sonambulismo
😴 O sonambulismo é uma parassônia — termo usado para descrever comportamentos anormais que ocorrem durante o sono. Ele acontece no estágio mais profundo do sono, chamado N3, quando uma parte do cérebro responsável pela vigília se ativa sem que a pessoa acorde de verdade.
No cérebro, o que acontece é uma espécie de falha no sistema: mecanismos ligados à vigília invadem o sono profundo. Com isso, algumas áreas cerebrais permanecem adormecidas enquanto outras despertam parcialmente. É essa divisão que permite que o corpo se mova, fale e execute ações sem que a pessoa tenha consciência do que está fazendo.
“Apesar de conseguir se mexer, falar, no sonambulismo a pessoa não conta uma história com começo, meio e fim. A fala fica meio desconexa, é difícil conseguir entender o que se diz”, explica a neurologista Andrea Bacelar, membro titular da Academia Brasileira do Sono (ABS).
A médica explica que as pessoas costumam ficar com os olhos abertos, podem ocorrer episódios de choro, grito, sustos. No entanto, no dia seguinte, a pessoa não se lembra de nada.
“Esse quadro é mais comum na adolescência e, em geral, se resolve na vida adulta. São raros os casos de quadros como esse em adultos. Temos algumas situações de gatilho, mas elas não fazem com que a pessoa tenha vários episódios seguidos”, explica Bacelar.
O que é o transtorno comportamental do sono REM
O sono REM é a fase em que os sonhos acontecem. Em condições normais, o cérebro envia sinais que paralisam a musculatura do corpo durante esse estágio — é isso que impede que a pessoa reproduza fisicamente o que está sonhando. Quando esse mecanismo falha, ela passa a agir de acordo com o conteúdo dos sonhos.
Diferente do sonambulismo, quem tem o transtorno REM costuma acordar com memória do que estava sonhando — consegue descrever a cena, o ambiente, o que estava fazendo. É como se acordasse e percebesse que estava sonhando.
Nesse tipo de caso, os movimentos tendem a ser mais abruptos e intensos, e os episódios costumam ser curtos. Na maior parte dos casos, os olhos permanecem fechados durante o episódio.
“Esse quadro é mais raro e também mais grave. É preciso acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento porque afeta diretamente a qualidade do sono e, com isso, afeta outras áreas da saúde”, explica o médico especialista em sono e presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), Almir Tavares.
🔴 Os médicos explicam que não é possível fazer um diagnóstico apenas com base em vídeos. Ainda assim, avaliam que o comportamento exibido não parece se encaixar de forma típica nem no sonambulismo nem no transtorno comportamental do sono REM.
O que fazer nesses casos?
Se estiver ao lado de alguém que tiver um quadro de sonambulismo ou de transtorno REM, o mais indicado é não tentar acordar a pessoa.
De acordo com os médicos, é mito que isso pode causar a morte. Porém, interromper o episódio abruptamente pode prolongar o estado de confusão mental. O mais indicado é conduzir a pessoa com cuidado de volta à cama.
Os médicos pedem atenção para casos em que a pessoa se levanta da cama, saí de casa porque, para além de atrapalhar o sono, a pessoa pode se colocar em risco.