Como era o mundo na última rejeição do Senado a um ministro do STF, 132 anos atrás?
30/04/2026
(Foto: Reprodução) Senado rejeita indicação de Jorge Messias para o STF
O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo levantamento da Agência Senado, a última vez que a Casa rejeitou a indicação de um ministro ocorreu há 132 anos. Em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, cinco nomes foram barrados:
Barata Ribeiro,
Innocêncio Galvão de Queiroz,
Ewerton Quadros,
Antônio Sève Navarro,
Demosthenes da Silveira Lobo.
Isso aconteceu porque o processo de escolha para o Supremo no começo da República no Brasil ainda era marcado por forte instabilidade institucional. A maior parte dos designados não tinham formação jurídica e, em vários casos, tinham perfil mais político ou militar, o que gerou resistência no Senado.
Inauguração da estátua do General Osório, em 1874
Acervo do Sistema de Informações do Arquivo Nacional
Quase duas décadas depois, como era o Brasil naquela época?
A aviação ainda não existia: Em 1906, Santos Dumont faria em Paris o voo do 14-Bis — decolagem autônoma, sem catapulta, diante de uma multidão — aquele que o Brasil reconhece como o primeiro voo da história.
O futebol ainda dava os primeiros passos no Brasil: o esporte foi introduzido naquele mesmo ano por Charles Miller, que trouxe bolas e regras da Inglaterra. No entanto, a prática era restrita a círculos da elite paulista e ainda levaria anos para se popularizar e ganhar campeonatos organizados.
Não havia rádio nem televisão: a comunicação de massa era limitada aos jornais impressos. As primeiras transmissões de rádio no Brasil só ocorreriam em 1922, enquanto a televisão chegaria em 1950. Em 1894, notícias circulavam mais lentamente e dependiam da distribuição física dos periódicos.
O cinema ainda estava nascendo: a primeira exibição pública de filmes aconteceria apenas em 1895, na França, com os irmãos Auguste Lumière e Louis Lumière. Ou seja, na época, nem mesmo a ideia de assistir a imagens em movimento em uma sala de exibição fazia parte do cotidiano.
O Brasil era majoritariamente rural: a economia girava em torno da exportação de café, especialmente no Sudeste. A industrialização ainda era incipiente, e a maior parte da população vivia no campo, com acesso limitado a serviços urbanos e infraestrutura.
A escravidão havia sido abolida recentemente: a Lei Áurea, assinada em 1888 por Princesa Isabel, ainda era um marco recente. O país vivia os impactos sociais e econômicos do pós-abolição, sem políticas estruturadas de inclusão para a população negra libertada.
O voto não era secreto: o sistema eleitoral era aberto, o que facilitava pressões e fraudes. Esse modelo ajudou a consolidar práticas como o “voto de cabresto”, em que eleitores eram influenciados por líderes locais. O voto secreto só seria adotado no Brasil em 1932.
Os brasileiros viviam muito menos: dados históricos do IBGE indicam que, por volta de 1900, a expectativa de vida no Brasil era de cerca de 33,7 anos.