Conheça a história de famílias que fizeram a fama da cidade conhecida como a Capital do Doce

  • 24/01/2026
(Foto: Reprodução)
Famílias que fizeram a fama da cidade conhecida como a Capital do Doce O título de Capital do Doce, associado a Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia, foi construído ao longo de décadas por famílias que transformaram receitas, rotinas e trabalho manual em identidade cultural da cidade. Da produção caseira feita no fogão de casa às indústrias que hoje abastecem outros estados, a história do doce em Nerópolis é marcada pela continuidade familiar e pela preservação de modos tradicionais de fazer. Em agosto de 2023, essa trajetória foi oficialmente reconhecida com a sanção da Lei nº 22.203, que declarou os doces de Nerópolis como patrimônio cultural imaterial de Goiás. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp Do fogão de casa ao carrinho de mão A história da Doces Nerópolis começou em 1965, quando Humberto Marques Brandão e a esposa, Dulcinea Navas Marques, iniciaram a produção de doces de forma totalmente artesanal. Segundo Matheus Fedato, diretor executivo da empresa e neto do fundador, no início tudo era feito dentro de casa, com participação direta da família. “Não tinha indústria, não tinha máquina. Era fogão, tacho, colher e força. Meu avô, junto com familiares, colocava a mão na massa”, contou. Matheus relata que o avô também foi responsável por levar o doce para fora das casas e torná-lo conhecido. “Tem gente que lembra dele saindo com carrinho de mão, indo de porta em porta, vendendo nas barraquinhas da rodovia”, disse. Com o aumento da procura, a produção foi sendo ampliada e, aos poucos, passou por um processo de profissionalização, especialmente a partir da década de 1980, quando a família investiu em estrutura e equipamentos. Ainda assim, segundo Matheus, a essência do produto foi preservada. “Não é só o produto em si. A gente conta uma história. E isso exige cuidado, porque qualquer mudança interfere na identidade do doce”, afirmou. Humberto Marques Brandão, fundador da Doces Nerópolis, foi um dos pioneiros na produção de doces na cidade. A tradição começou de forma artesanal, com receitas feitas em casa e venda direta, e ajudou a construir a identidade que mais tarde tornaria Nerópolis conhecida como a Capital do Doce Reprodução/Site de Doces Nerópolis LEIA TAMBÉM: Quase 300 anos e patrimônio histórico e cultural: conheça distrito considerado o Marco Zero de Goiás Capital da Logística: conheça cidade goiana onde se concentram mais de 15 centros de distribuição de varejo, como Amazon e Shopee Xeroderma pigmentoso: entenda por que povoado em Goiás concentra um dos maiores grupos de portadores da doença rara no país Porta a porta em Goiás Outra história que ajuda a explicar o título da cidade é a da Kremolat, fundada em 1998 por Adão e Clarete. A empresa nasceu a partir da experiência dos pais de Lorraine Mendes, que hoje está à frente da fábrica. Antes de abrir o próprio negócio, ele passou cerca de 15 anos revendendo doces produzidos em Nerópolis, viajando por cidades goianas e vendendo de porta em porta. “Durante esse tempo, ele aprendeu muito sobre doce: ponto, textura, qualidade. Ele sabia escolher o doce certo”, contou Lorraine. A fábrica começou pequena, com produção limitada, e cresceu gradualmente. Lorraine lembra que a infância foi vivida dentro da produção, quando tudo ainda era feito em tachos aquecidos a fogo. “Era uma fornalha grande, tacho de cobre. A gente comia a rapa do tacho”, relembrou. Hoje, mesmo com processos mais modernos, hábitos antigos continuam presentes. “A rapa virou produto. Como os tachos de inox não fazem rapa, a gente deixa queimar um pouco, porque o cliente pede”, explicou. A participação da família segue ativa. O pai de Lorraine, segundo ela, passou a se dedicar à produção do leite usado na fábrica. “Ele investiu em vacas leiteiras e hoje cuida da produção do leite para a gente”, disse. Tradição mantida no fogão Além das indústrias, a tradição doceira de Nerópolis também se mantém viva no preparo artesanal feito dentro de casa. Há 26 anos, Sônia Maria de 75 anos, produz doces cristalizados de forma totalmente manual, ao lado do marido, Antônio, em uma cozinha simples no município. Ela conta que começou a fazer doces após se aposentar do trabalho no sindicato rural. “Sempre tive vontade de fazer doce cristalizado. Fui criada na fazenda, tinha muita fruta, e a gente fazia doce pra consumo da família”, relatou. O aprendizado veio por meio de cursos da Emater, mas a produção nunca saiu do ambiente doméstico. “Sempre fiz só em casa, nesse fogãozinho pequeno”, disse. Inicialmente, os doces eram feitos para eventos da família. “Comecei fazendo pra filha que ia casar, pra sobrinha. Depois pensei em vender”, contou. Hoje, dona Sônia prepara doces de frutas como laranja, abóbora, figo e mamão, além de cocadas e balas, com ajuda do marido no preparo dos ingredientes. Sem redes sociais, ela vende por encomenda e indicação. “É tudo no boca a boca. Um indica pro outro”, disse. Os doces já chegaram a Goiânia, Brasília e até ao exterior, levados por clientes. Sônia Maria faz doces caseiros há 26 anos, em Nerópolis. Produção é 100% manual e mantém viva a tradição que ajudou a transformar a cidade na Capital do Doce Reprodução/TV Anhanguera Identidade construída pelas famílias Para Matheus Fedato, o reconhecimento de Nerópolis como Capital do Doce está diretamente ligado à história das famílias que ajudaram a formar esse polo produtivo. “A gente entende que não é só vender doce. A gente entrega uma história construída há décadas. Se perder a originalidade, perde a identidade”, afirmou. Ele destaca que a cobrança dos próprios moradores reforça essa preservação. “Tem cliente com paladar muito aguçado. Qualquer mudança, eles percebem”, disse. Dona Sônia também avalia que o reconhecimento é resultado do esforço coletivo. “Antes era a terra do alho. O alho acabou, ficaram os doces. Tem muita gente que faz doce aqui. Nerópolis merece esse reconhecimento”, afirmou. Unindo produção artesanal e industrial, a história dos doces de Nerópolis segue sendo contada pelas mãos de famílias que transformaram tradição em identidade e ajudaram a consolidar o nome da cidade em Goiás e fora dele. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/01/24/conheca-a-historia-de-familias-que-fizeram-a-fama-da-cidade-conhecida-como-a-capital-do-doce.ghtml


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