Defesa de Bolsonaro reclama ao STF que restrição de visitas é silenciamento político

  • 24/07/2026
(Foto: Reprodução)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibe carta escrita pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro Reprodução Em documento enviado à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Jair Bolsonaro (PL) reclama que a proibição de que ele receba visitas com fins político-eleitorais é um "instrumento de limitação ideológica" e um silenciamento político do ex-presidente. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça No dia 17 de julho, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro fique 90 dias sem receber visitas com esta finalidade em sua prisão domiciliar, cumprida em Brasília -- o prazo inclui o 1º turno das eleições presidenciais de 2026, em 4 de outubro. Os advogados tentam reverter o cenário para a campanha eleitoral. Moraes também proibiu o senador Flávio Bolsonaro, filho e advogado de Jair, de visitá-lo pelo prazo de 30 dias depois de ele ler uma carta escrita por Jair em suas redes sociais. O ex-presidente está proibido de usar redes sociais, seja pelos seus próprios perfis, seja pelo de terceiros -- como os filhos. 'Juízo estabeleceu restrições', diz especialista sobre decisão ligada a carta de Bolsonaro Segundo a defesa do ex-presidente no documento enviado à Primeira Turma, a decisão de Moraes vai além da condenação que ele recebeu no julgamento da tentativa de golpe, em 2022, quando teve os direitos políticos cassados. Flávio chamou a decisão de "ilegal, desproporcional, covarde e cruel". "Ocorre que a restrição é construída a partir de conceito absolutamente indeterminado, incompatível com as exigências inerentes ao devido processo legal", afirmam os advogados de Jair. Na decisão, Moraes alegou que a carta escrita por Jair tinha direcionamento "'aos brasileiros', demonstrando sua natureza não particular e sua finalidade político-eleitoral com exposição ao público em geral, utilizando Flávio Nantes Bolsonaro como intermediário ou, nas suas próprias palavras, como seu 'porta-voz'", escreveu o ministro. Os defensores de Bolsonaro discordam da decisão e usam como exemplo uma carta escrita por Lula e lida por Fernando Haddad, em 2018, quando o atual presidente estava preso em Curitiba. À época, o petista não tinha restrições para se comunicar, enquanto Bolsonaro tem comunicação restrita após ser condenado pelo STF, segundo analisam especialistas. Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e lida pelo senador Flávio Bolsonaro neste sábado (11) Divulgação Eles argumentam ao STF que "interpretar a perda da capacidade eleitoral como fundamento suficiente para proibir visitas que objetivariam conversas sobre política ou mesmo impedir a divulgação de manifestações por qualquer meio significa acrescentar ao texto constitucional consequência jurídica que dele não decorre". "Ocorre que, se é lícito ao Agravante [Jair Bolsonaro] refletir, escrever ou registrar seu pensamento, mas absolutamente vedado transmiti-lo a terceiros por qualquer forma de divulgação, a restrição deixa de incidir sobre determinado meio de comunicação para atingir, na prática, a própria circulação das ideias", sustenta a defesa. O documento afirma que a decisão acaba por "esvaziar a liberdade de manifestação do pensamento que permanece preservada, mesmo após a suspensão" dos direitos políticos de Bolsonaro. O documento, um agravo regimental, foi entregue na tarde desta sexta-feira (24) à Primeira Turma.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/julia-duailibi/post/2026/07/24/defesa-bolsonaro-stf-restricao-visitas.ghtml


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