Dentista é preso suspeito de manter companheira em cárcere privado e forçá-la a fazer 10 tatuagens com o seu nome
14/04/2026
(Foto: Reprodução) Dentista é preso suspeito de manter companheira em cárcere privado
A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (14), um dentista de 40 anos suspeito de uma série de crimes cometidos contra a companheira, incluindo cárcere privado, agressões físicas, ameaças e danos, no contexto de violência doméstica.
A ação fez parte da Operação Ötzi, realizada de forma integrada pelas polícias civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A identidade de ambos os envolvidos não foi divulgada pelas autoridades.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
O mandado de prisão preventiva e os de busca e apreensão foram cumpridos em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, onde o casal mora e o suspeito mantém um consultório odontológico. A operação foi coordenada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Esteio, no RS, e pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Itapema.
Segundo a investigação, a vítima, uma mulher de 39 anos, teria permanecido por cerca de quatro meses sob um ciclo constante de violência física, psicológica e moral. De acordo com o relato, ela era impedida de sair de casa, não podia manter contato com familiares e tinha a liberdade severamente restringida.
Vítima procurou ajuda no RS
O caso veio à tona após a mulher conseguir fugir da residência no início de abril e procurar ajuda no Rio Grande do Sul. O registro da ocorrência foi feito no dia 3 de abril, na Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas, um dia depois da fuga.
Em novo depoimento prestado à DEAM de Esteio, no dia 10 de abril, a vítima detalhou que o suspeito teria exercido controle total sobre sua rotina. Ele teria confiscado o celular, limitado o acesso à internet e promovido isolamento social deliberado. As agressões, segundo a polícia, seriam frequentes, incluindo espancamentos com objetos e ameaças de morte.
Segundo a investigação, a vítima apresentava ferimentos por todo o corpo. Conforme apurado, ela teria sido obrigada a tatuar o nome do agressor em dez partes diferentes do corpo, incluindo o pescoço, por imposição do suspeito.
Dentista é preso suspeito de forçar a companheira a fazer 10 tatuagens com o nome dele
Divulgação/ Polícia Civil
A mulher só teria conseguido sair do local depois que o investigado teria tomado medicamento para dormir. Com ajuda de outras pessoas, ela deixou Santa Catarina sem levar pertences pessoais ou o próprio veículo, que permaneceram com o suspeito.
As apurações apontaram ainda que o investigado mantinha armas de fogo em casa, o que, segundo a polícia, aumentava consideravelmente o risco à vida da vítima.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidas duas armas, além de dispositivos eletrônicos e outros materiais que devem ajudar no andamento do inquérito. Todos os bens da vítima, inclusive o carro, foram localizados e devolvidos.
Histórico de violência
A Polícia Civil também identificou que o suspeito possui histórico de violência contra outras mulheres. Há registros anteriores em Santa Catarina envolvendo pelo menos duas ex-companheiras, que relataram episódios semelhantes, como controle excessivo, isolamento, agressões físicas, ameaças e cárcere privado.
Uma dessas vítimas descreveu ter vivido sob vigilância constante, sem acesso a familiares, submetida a agressões e forte violência psicológica, o que, segundo os investigadores, indica um padrão repetido de comportamento.
Diante da gravidade dos fatos e do risco de novos crimes, a DEAM de Esteio solicitou a prisão preventiva do suspeito, que foi autorizada pela Justiça. Durante o interrogatório, ele optou por permanecer em silêncio.
VÍDEOS: Tudo sobre o RS