Donos de creche para cães em Botafogo são indiciados por maus-tratos após denúncia de ex-funcionário
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Donos de creche para cães em Botafogo são indiciados por maus-tratos após denúncia
Os donos de uma creche para cães em Botafogo, na Zona Sul do Rio, foram indiciados pela Polícia Civil do RJ por maus-tratos a animais.
A investigação teve início após a divulgação de vídeos gravados por um ex-funcionário, que mostram agressões contra cães, além de animais mantidos amarrados e em condições consideradas inadequadas.
As imagens foram registradas dentro da Pituchos da Lu. Em um dos vídeos, um homem aparece dando tapas na cabeça de um cachorro. Em outro trecho, ele chuta o animal. Há ainda uma gravação em que um cão é puxado para fora de um cômodo por uma das mãos do funcionário, enquanto o animal grita.
Outros registros mostram cães presos por correntes curtas dentro do que parece ser um banheiro. Em uma das gravações, também é possível ver um pneu com água parada e presença de larvas.
Os responsáveis pela creche são a médica veterinária Luana Dames e o marido dela, Pedro Aires Torres.
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Tutor diz que cão voltava com muita sede
O gerente de projetos Gabriel Cecilio afirma que costumava deixar o husky Rio aos cuidados da creche. Segundo ele, só descobriu o que acontecia após ter acesso aos vídeos e às mensagens anexadas ao inquérito.
Pituchos da Lu ficam em Botafogo, na Zona Sul do Rio
Reprodução/TV Globo
"Na verdade ele ficava preso pelo pescoço o dia inteiro, sem beber água e, às vezes, sofrendo violência física dos donos. Toda vez ele voltava com muita sede", contou.
Conversas incluídas na investigação mostram reclamações dos responsáveis pelo estabelecimento sobre cães que latiam com frequência.
Em uma das mensagens, Pedro escreve sobre o husky Rio: "Rio tá latindo demais". Em seguida, afirma: "O cachorro vai morrer do coração". Depois completa: "Se morrer, morreu".
Em outra conversa, aparece a orientação: "Rio tá latindo muito. Dá uma nele pelo amor de Deus".
Outras mensagens citadas no inquérito fazem referência a diferentes animais. Sobre uma cadela chamada Princesa, um dos textos diz: "Bota uma focinheira nela". Já em relação a um cão chamado Pingo, consta a orientação: "Põe ele no corredor. Bate com a revista".
Cadela presa e com focinheira
Reprodução/TV Globo
Ex-funcionário reuniu provas e procurou a polícia
Foi o monitor pet Gênesis Sousa Cardoso quem gravou os vídeos e reuniu as mensagens entregues à polícia.
Segundo ele, as orientações para agredir os animais eram dadas pelos próprios donos da creche.
"Quando comecei a trabalhar, achei esquisito porque os donos falavam que quando os cachorros começavam a latir muito tinha que pegar jornal ou revista e bater no focinho deles. Eu questionei aquilo e, com o passar do tempo, a situação foi piorando", afirmou.
Polícia aponta relatos de agressões e confinamento
De acordo com a delegada Natália Caliman, titular da 10ª DP (Botafogo), as investigações reuniram vídeos, depoimentos de ex-funcionários e relatos de tutores de animais.
"Foram juntados vídeos relatando situações de maus-tratos em um ambiente confinado que eles chamavam de solitária, onde os animais não conseguiam sequer deitar e ficavam longe de água e comida", afirmou.
A delegada acrescentou que outros ex-funcionários relataram ter presenciado agressões e que alguns tutores disseram que receberam seus cães de volta com ferimentos.
Uma das mensagens dos donos sugere agressão a um cão
Reprodução/TV Globo
Os responsáveis pela creche foram convocados 2 vezes para prestar depoimento na delegacia, mas não compareceram. Com a conclusão do inquérito, o casal foi formalmente indiciado por maus-tratos.
Mudanças de comportamento, dizem tutores
O chefe de gabinete Daniel Corbacho também registrou ocorrência sobre o caso. Segundo ele, o cachorro da família frequentava a creche regularmente.
"Foi revoltante descobrir que, enquanto acreditávamos estar pagando por um serviço de socialização e bem-estar, nosso cachorro estava preso, trancado e sofrendo maus-tratos e agressões", disse.
A jornalista Bianca, tutora do animal, afirma que o comportamento do cão mudou após o período em que ficou no local.
"Ele ficou reativo com outros cachorros. Colocamos na coleira e, quando vê outro cão, tenta atacar. Ele nunca foi assim. Imagino que isso tenha relação com o que passava lá dentro", afirmou.
Cachorro era amarrado dentro de um banheiro
Reprodução/TV Globo
Defesa nega acusações
Em nota publicada no site da empresa, a Pituchos da Lu informou que entregou às autoridades o material que considera necessário para a apuração dos fatos.
Os responsáveis negam as acusações e afirmam que os vídeos divulgados foram editados ou retirados de contexto. Segundo a defesa, a contenção dos animais ocorria apenas por curtos períodos e exclusivamente durante a alimentação.
Ao RJ1, a Pituchos da Lu informou que os vídeos divulgados "não retratam a integralidade dos fatos" e afirmou que vem colaborando com as investigações, aguardando a conclusão oficial do caso pelas autoridades competentes.
A empresa também declarou que seu trabalho é pautado pela transparência, pelo compromisso com os clientes e pela dedicação de seus profissionais.
Enquanto o caso segue para análise do Ministério Público, tutores dos animais esperam que os responsáveis sejam responsabilizados.
"Espero que eles sejam realmente punidos pelo que fizeram não só com o meu cachorro, mas com todos os outros", disse Gabriel Cecilio.
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