'Estrela de buraco negro' pode ser novo tipo de objeto cósmico; entenda a descoberta
16/08/2026
(Foto: Reprodução) Ilustração mostra a possível ‘estrela de buraco negro’, um ponto vermelho muito brilhante observado no Universo primitivo.
Jose-Luis Olivares/MIT
Um pequeno ponto vermelho identificado pelo telescópio James Webb pode representar um tipo de objeto cósmico nunca observado dessa forma até agora: um buraco negro envolvido por uma enorme e densa camada de gás, que faz o conjunto se comportar, em alguns aspectos, como uma estrela gigantesca.
Batizado de MoM-BH-1*, o objeto é visto como era cerca de 660 milhões de anos depois do Big Bang, uma fase ainda muito jovem do Universo.
O estudo, publicado na revista "Nature" na última semana, indica que praticamente toda a luz observada pode vir de um buraco negro central e do gás ao seu redor, com pouca contribuição da galáxia que o abriga.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Os pesquisadores chegaram até ele enquanto procuravam algumas das primeiras galáxias do Universo.
Nas imagens do Webb, o objeto chamou atenção por ser extremamente vermelho e brilhante. Mas, quando sua luz foi analisada em detalhes, surgiu uma característica difícil de explicar apenas com estrelas: em determinada faixa, o brilho despenca mais de 20 vezes.
Agora no g1
Objetos distantes costumam parecer avermelhados porque a poeira bloqueia com mais facilidade a luz azul.
Era também uma das principais explicações propostas para os chamados “little red dots”, ou pequenos pontos vermelhos, objetos compactos encontrados em grande número pelo James Webb no Universo primitivo.
No MoM-BH*-1, porém, os dados indicam outra possibilidade. O vermelho parece ser produzido principalmente por uma quantidade enorme de gás extremamente denso e turbulento ao redor do buraco negro, e não por poeira.
Esse gás funciona como uma espécie de envoltório: parte da luz mais azul produzida perto do buraco negro não consegue escapar, enquanto comprimentos de onda mais vermelhos chegam até nós com maior facilidade.
LEIA TAMBÉM:
Por que cientistas acreditam na existência de oceanos em planetas-anões
Livro encadernado com pele humana é exibido em feira literária em NY
Como baleias podem ensinar cientistas a falar com alienígenas
Comparação mostra uma estrela, à esquerda, um buraco negro, ao centro, e a possível ‘estrela de buraco negro’, à direita, envolta por uma densa camada de gás.
iStock/Jose-Luis Olivares/MIT
No centro estaria um buraco negro em crescimento, alimentando-se de matéria. Ao redor dele, o gás formaria uma estrutura muito maior, dando ao objeto características que lembram as de uma estrela, embora sua fonte de energia seja completamente diferente.
“Você tem algo que se parece um pouco com uma estrela, mas é 100 bilhões de vezes mais brilhante. Isso significa que não pode ser alimentado pela fusão nuclear, que é a fonte de energia no coração de todas as estrelas que conhecemos”, explicou Rohan Naidu, principal autor do estudo, em um comunicado.
A descoberta também pode oferecer uma pista para um dos enigmas levantados pelo próprio James Webb.
Os “pequenos pontos vermelhos” aparecem com frequência nas observações do Universo jovem, mas sua verdadeira natureza ainda é discutida.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Se outros deles também forem buracos negros vistos através de gás denso, suas massas podem ter sido superestimadas, o que ajudaria a rever como os primeiros buracos negros gigantes cresceram tão rapidamente.
Por enquanto, os próprios pesquisadores ressaltam que o modelo é uma interpretação para explicar as observações e que a formação desses objetos continua sendo uma questão em aberto.
Novos dados, inclusive de futuros radiotelescópios, poderão revelar propriedades que o Webb sozinho não consegue medir.
Imagens do James Webb mostram a possível ‘estrela de buraco negro’ como um pequeno ponto vermelho.
Divulgação/Pesquisadores
VÍDEO: Por que o James Webb é um supertelescópio?
Compare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessor