Facadas, entrevista antes de ser preso, esposa consolada, doença mental: o que se sabe sobre genro que matou a sogra em SP
20/06/2026
(Foto: Reprodução) O que se sabe sobre genro que matou a sogra em Sertãozinho, SP?
O autônomo Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, foi preso e confessou ter matado a sogra, Leonice Aparecida Moscon, de 61 anos, em Sertãozinho (SP), na segunda-feira (15).
A vítima foi encontrada morta dentro de casa por uma das filhas, companheira do suspeito. Informações preliminares repassadas pelo Instituto Médico Legal (IML) à Polícia Civil apontam que ela sofreu 38 golpes de faca.
Em interrogatório, Ygor afirmou que matou a sogra para proteger o filho de supostos abusos sexuais, versão que a família da vítima classifica como absurda. Segundo o delegado Igor Dorsa, a alegação não é sustentada por elementos colhidos na investigação.
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A defesa de Ygor pretende pedir a instauração de um incidente de insanidade mental.
A seguir, o g1 lista o que se sabe sobre o caso.
Genro de idosa esfaqueada em Sertãozinho, SP, confessa o crime
Como aconteceu o crime?
Leonice foi encontrada morta dentro da casa dela na segunda-feira (15), em Sertãozinho.
Segundo o boletim de ocorrência, ela estava deitada sobre a cama, com uma faca cravada no peito e múltiplos ferimentos.
A filha da vítima estranhou a falta de resposta das mensagens enviadas à mãe e foi até a residência acompanhada do marido, Ygor, quando encontrou a mulher morta.
Suspeito deu entrevista antes de ser preso
Enquanto a polícia trabalhava na cena do crime, Ygor conversou com a imprensa na porta da casa da sogra e contou que consolou a esposa.
"Foi minha esposa que viu ela primeiro. Ela entrou, viu ela, aí ela pegou e gritou ‘Nossa, mataram minha mãe.’ Aí eu peguei e fui na janela e vi ela com uma faca cravada no peito, onde eu peguei e saí atrás dela e consolei ela."
Embora fosse vizinho da sogra, afirmou que não escutou nenhum barulho estranho vindo do imóvel. Ele também disse que pediu à vizinhança para chamar o socorro após a esposa encontrar a mãe ferida.
"Falei para a vizinhança, o pessoal que estava trabalhando ligar para o Samu para dar resposta, para conter ela, para ver se tinha alguma coisa para fazer, onde que ligou, aí chegou a emergência, chegou o pessoal aí."
Leonice Aparecida Moscon, de 61 anos, foi morta a facadas em Sertãozinho, SP
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O que levou à prisão do suspeito?
Ygor foi preso em flagrante no mesmo dia do crime. Segundo o boletim de ocorrência, a residência não apresentava sinais de arrombamento ou desordem, o que indicava que o autor poderia ser uma pessoa conhecida da vítima.
Policiais também encontraram roupas atribuídas ao suspeito em uma lixeira em frente ao imóvel, com manchas semelhantes a sangue. Uma blusa vermelha, que teria sido usada por ele no dia do crime, foi apreendida para perícia.
Outro elemento citado pela investigação foi um ferimento recente em uma das mãos do suspeito. A explicação apresentada por ele para a origem da lesão foi considerada vaga pela Polícia Civil.
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Reprodução/EPTV
Qual a justificativa dada por Ygor?
Ao ser preso em flagrante, Ygor negou envolvimento no crime. No segundo depoimento à Polícia Civil, acabou confessando o assassinato. Segundo o delegado Igor Dorsa, ele afirmou que acreditava que Leonice pudesse abusar sexualmente do neto, filho dele com uma das filhas da vítima.
Segundo o delegado, o suspeito disse que interpretava como inadequadas as demonstrações de carinho e os presentes dados pela avó ao menino. Ele também relatou que temia que o filho sofresse algo semelhante ao que afirma ter vivido na infância com um padrasto.
A Polícia Civil afirma, no entanto, que não encontrou indícios que sustentem essa suspeita. “Não tem nada de concreto relacionado a isso. Pelo menos não foi coletado nada na investigação nesse sentido”, disse Dorsa.
Ele também alegou sofrer de esquizofrenia e transtorno de bipolaridade.
O que diz a família da vítima?
Os familiares de Leonice rejeitam a versão apresentada pelo suspeito contra a vítima e também a versão de doença mental. Uma das filhas, Marilene Schiavinato Mariano descreveu Ygor como uma pessoa violenta e disse que ele já havia agredido a irm em outras ocasiões.
“Ele vai usar essa justificativa para a Justiça amenizar a situação dele, mas ele não é louco. Ele é psicopata, ele é frio, ele é calculista, porque ele calculou a morte da minha mãe. Dá uma nota de R$ 200 para ele e veja se ele rasga”, diz Marilene.
A família afirma que Leonice era uma avó presente e incapaz de cometer abusos contra o neto. Os parentes também pedem Justiça e classificam a justificativa apresentada pelo suspeito como absurda.
Antes da confissão, familiares também levantaram a hipótese de motivação financeira e destacaram que não havia sinais de arrombamento na casa.
A dona de casa Marilene Schiavinato, filha de mulher morta a facadas em Sertãozinho (SP).
Aurélio Sal/EPTV
O que diz a defesa?
O advogado de Ygor, Augusto José Costa, afirmou que pretende pedir a instauração de um incidente de insanidade mental. Segundo ele, Ygor tem diagnóstico de transtorno afetivo bipolar e já havia sido absolvido por uma tentativa de homicídio contra o padrasto em razão de problemas psiquiátricos.
Ele estava livre da acusação de tentar matar o padrasto há um mês, quando deixou a cadeia.
“Dadas as circunstancias e como ele narra os fatos, há uma suspeita de que ele seja incapaz de responder mentalmente pelos atos que praticou naquele momento. O que não significa que essa pessoa não é punida, ela é tratada dentro de uma instituição judicial. O que pretendemos fazer é instaurar o incidente de insanidade mental, o que é um pedido pelo qual se faz o procedimento para que seja detectada se essa pessoa é inimputável ou não”, diz Costa.
A defesa defende que caso o laudo apresente problemas de saúde de mental, Ygor deve ser submetido a tratamento médico ao invés de ser levado a uma penitenciária comum.
A motivação financeira foi descartada?
Leonice havia contratado recentemente um empréstimo de R$ 13 mil. A Polícia Civil ainda verifica se houve alguma movimentação financeira atípica que possa ter relação com o crime.
Segundo o delegado Igor Dorsa, todas as linhas de investigação continuam sendo apuradas.
O autônomo Ygor Felizardo, preso por suspeita de matar a sogra em Sertãozinho (SP)
Reprodução/EPTV
Como anda a investigação?
Ygor está preso preventivamente. A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais e analisa imagens de câmeras de segurança da região para confirmar a dinâmica do crime.
Os celulares da vítima e do suspeito também foram apreendidos e passam por perícia. A investigação busca esclarecer se a motivação foi exclusivamente a relatada pelo suspeito ou se outros fatores contribuíram para o assassinato.
A Polícia Civil também deve pedir um exame para avaliar a sanidade mental do suspeito.
O que pode acontecer com Ygor?
Caso seja considerado capaz de compreender os próprios atos, Ygor responderá por feminicídio e poderá ser julgado pelo tribunal do júri.
Se for constatado que ele não tinha capacidade de entender o caráter ilícito da conduta, continuará respondendo ao processo, mas poderá ser submetido a uma medida de segurança, com internação psiquiátrica, em vez de pena em uma penitenciária comum.
A definição dependerá da conclusão das perícias e da eventual instauração do incidente de insanidade mental.
Genro que confessou ter matado sogra a facadas descreve o que pensou antes do crime
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Os familiares de Leonice rejeitam a versão apresentada pelo suspeito contra a vítima e a. Uma das filhas, Marilene Schiavinato Mariano descreveu Ygor como uma pessoa violenta e disse que ele já havia agredido a irm em outras ocasiões.
O que se sabe sobre genro que matou a sogra em Sertãozinho, SP?