Festival de Curitiba: público aponta favoritos da edição
13/04/2026
(Foto: Reprodução) A 34ª edição do Festival de Curitiba chegou ao fim como um verdadeiro termômetro cultural. Ao longo de 14 dias, cerca de 200 mil pessoas passaram por teatros, ruas, praças e espaços culturais de Curitiba e Região Metropolitana e ajudaram a desenhar um retrato claro das preferências do público: diversidade, emoção e acesso.
Com mais de 435 atrações espalhadas por mais de 70 espaços, o festival apostou em uma programação plural, que reuniu teatro, dança, música, circo, humor, performances, debates e gastronomia. O resultado apareceu nas bilheterias, com recorde de ingressos vendidos e sessões esgotadas, e também na ocupação dos espaços gratuitos, que somaram cerca de 130 atividades.
Teatro que emociona e surpreende
Entre os espetáculos mais comentados, produções que apostaram na emoção e na força cênica ganharam destaque. O ator e dublador Vitor Moleta acompanhou intensamente a programação e aprovou o resultado:
“Está cada vez mais eclético, com coisas muito diferentes. Vi uma peça por dia. É difícil não gostar dos trabalhos. ”
Ele cita como favoritos “Histórias de Teatro e Circo”, pela potência de reunir três gerações em cena, e “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão, elogiado pela interação com a plateia. “A Máquina” também o surpreendeu pelo cenário giratório e atuação.
“(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do grupo mineiro Galpão, foi destacada pelo público pela força cênica e intensa interação com a plateia.
Divulgação/Maringas Maciel.
A jornalista Luciana Melo reforça o impacto da montagem do Galpão:
“Foi uma experiência muito forte. O grupo conseguiu ousar sem perder a essência. A adaptação é muito boa. ”
Já a atriz Karla Fragoso destaca o impacto emocional das obras:
“O Grupo Galpão foi muito impactante, com um final apoteótico. Também amei ‘Jonathan", sobre o racismo. ”
Fringe e rua ampliam o alcance
A Mostra Fringe, com cerca de 300 atrações, reforçou o papel do festival na democratização do acesso à cultura. Espetáculos gratuitos e de rua foram apontados como fundamentais para atrair novos públicos.
O programador cultural Alex Lima, que tem uma relação antiga com o evento, destaca essa força:
“Eu faço teatro por conta do festival. No primeiro ano do evento assisti “Romeu e Julieta” do Galpão e fiquei apaixonado, decidi ali o que queria fazer da vida. A programação é muito diversificada. Gostei muito de ‘Édipo Rec’ e ‘{Fé}sta’, além dos espetáculos ‘Fagulha’ da Cia Às de Paus e ‘Deriva’ da Súbita Companhia.”
Para o estudante Fernando Moraes, que participa do Fringe desde 2018, o impacto é direto:
“Leva muitas pessoas ao teatro, que normalmente não frequentam esse espaço. É uma época muito gostosa na cidade. ”
A artista visual Gláucia dos Santos Abreu também valoriza essa vertente:
“Gosto muito do Fringe. Vi trabalhos incríveis nas Ruínas e na rua como ‘Odisseia na Praça’. O festival deixa a cidade animada."
Espetáculo “Fagulha”, da Cia Às de Paus, conquista o público no Fringe, reafirmando a força das produções independentes no Festival de Curitiba.
Divulgação/Miriane Figueira.
Cidade transformada
Durante o festival, Curitiba ganha um novo ritmo, percepção compartilhada por artistas e público.
“A cidade ganha outro ar, frequentar o festival já é uma tradição”, afirma a atriz e produtora Carla Bittencourt, que participou da Rodada de Conexões como curadora e destacou o espetáculo “{Fé}sta”.
O estudante de teatro Logan Katkovski Godinho resume o sentimento de muitos:
“Esse período do ano me traz muita felicidade, fico muito animado.”
Já Luiz Eduardo Ferraz ressalta o peso institucional do evento:
“O Festival de Curitiba é referência. ‘Édipo Rec’ foi muito bonito, ainda mais na Ópera de Arame. ”
Apresentação de “Piracema”, do grupo Corpo, foi marcada pela precisão, beleza estética e forte impacto visual na programação do Festival de Curitiba.
Divulgação/Humberto Araújo.
Grandes companhias e momentos marcantes
Espetáculos de grupos consagrados também ficaram na memória do público. A apresentação “Piracema”, do Grupo Corpo, foi um dos destaques.
“Adorei ver ‘Piracema’”, conta Francisca Gomes, de 82 anos, frequentadora assídua.
A produtora Muga Riesemberg também se impressionou:
“O grupo Corpo foi impactante, tudo perfeito. Voltar com espetáculos em espaços como a Ópera de Arame e a Pedreira foi muito importante nesta edição. ”
Gastronomia e humor em alta
Fora dos palcos tradicionais, o público também mostrou preferência por experiências como o Gastronomix e o Risorama.
Para Júlia da Costa de Oliveira, que participou pela primeira vez do evento, a experiência gastronômica foi decisiva:
“Gostei muito, deu para conhecer vários pratos. Foi minha estreia no festival e com certeza vou voltar. ”
O DJ Antônio Ramos destacou a evolução do Gastronomix:
“Este ano achei mais organizado, com muita banda boa tocando música brasileira e pratos ótimos. O clima no fim de semana também ajudou muito. ”
Já a designer Sharoni Aizental celebrou a diversidade no humor:
“Conheci comediantes novas no Risorama e fiquei bem feliz de ver o espaço feminino ampliado no evento. Vou ficar com uma boa recordação. ”
Gastronomix conquista o público ao unir alta gastronomia, música brasileira e clima ao ar livre, consolidando-se como um dos espaços mais saborosos e animados do Festival de Curitiba.
Divulgação/Lina Sumizono.
Encantamento para todas as idades
O festival também mostrou força ao atingir públicos de todas as idades. Moisés, de cinco anos, saiu encantado após assistir ao espetáculo da Mostra Lucia Camargo “Como um Palhaço – Like a Clown”.
Diversidade como marca
Para a jornalista Luciana Melo, a variedade também esteve no formato das atrações:
“Havia opções mais curtas e mais longas, o que atende diferentes momentos do público.”
Essa multiplicidade aparece como consenso entre os depoimentos: uma programação capaz de agradar perfis distintos, do espectador casual ao profissional da área.