'Foram para matar', diz mãe de jovem morto após ser atropelado por viatura da GCM
10/03/2026
(Foto: Reprodução) 'Foram pra matar', diz mãe de jovem morto após ser atropelado por viatura da GCM
A mãe de Matheus de Paula, jovem de 23 anos que morreu após ser atropelado por uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM) em Sorocaba (SP), prestou depoimento na segunda-feira (9). Em sua fala, ela acusou os agentes de homicídio e pediu justiça.
O caso aconteceu em 27 de fevereiro, durante uma perseguição no bairro Parque Três Meninos, e os guardas envolvidos foram afastados de suas funções nas ruas.
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Segundo a mãe, Michele Toledo de Almeida, o filho fazia uma entrega de lanche no momento da abordagem. Ela contou que o estabelecimento onde ele trabalhava já estava fechado, mas o jovem decidiu atender a um último pedido. O atropelamento ocorreu quando ele retornava para casa.
Abalada, ela criticou a ação dos agentes: "Quero justiça. Quero que eles respondam por homicídio, não por acidente de trânsito. Foi muita crueldade o que eles fizeram, que eles prestem conta. Eles não podem parar os meninos na rua passando por cima".
A mãe, que é comerciante, também afirmou que o filho usava capacete e que existem imagens que comprovam que ele havia saído para trabalhar.
"Foi uma injustiça, foi um homicídio. Não foi um acidente de trânsito como eles alegam. Eles foram para matar. Eles precisam explicar como fizeram uma coisa desta. Você passa por cima de uma pessoa com um carro desse tamanho e diz que não foi nada..."
Em depoimento emocionado, a mãe ressaltou que o jovem não tinha antecedentes criminais. "Ele era um menino muito bom. Não fazia nada de errado. Ele nunca foi preso, nunca me deu essa vergonha", disse.
Michele também reclamou da demora para o socorro chegar: "Ele poderia estar vivo".
O jovem chegou a ser socorrido e levado para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade.
Mãe de jovem que morreu atropelado por viatura da GCM em Sorocaba (SP) pede justiça
Reprodução/TV TEM
Investigação e afastamento
A conduta dos guardas é alvo de duas investigações: uma administrativa, aberta pela Controladoria Geral do Município, e um inquérito da Polícia Civil.
Câmeras de segurança registraram a perseguição em alta velocidade. Nas imagens, é possível ver o momento em que a viatura atinge a moto e o jovem é arrastado por alguns metros.
A prefeitura informou que o objetivo é analisar as circunstâncias do caso. Os guardas envolvidos foram afastados do patrulhamento nas ruas e desempenham funções internas até a conclusão das apurações.
Motociclista morre após ser atropelado por viatura da GCM em Sorocaba (SP)
Reprodução/Câmera de segurança
Versões diferentes
A versão inicial da Guarda Civil Municipal, divulgada pela Secretaria de Segurança Urbana (Sesu), apontava que Matheus não obedeceu a uma ordem de parada, se desequilibrou e caiu sozinho. A nota também afirmava que ele era visto empinando a moto e estava sem capacete.
No entanto, imagens gravadas por um morador de um prédio em frente ao local do atropelamento mostram Matheus no chão, usando capacete, o que contradiz a versão inicial da GCM.
O boletim de ocorrência registrado pela GCM detalha que o motociclista perdeu o controle ao passar por uma ondulação na via e caiu. O documento acrescenta que a viatura "teve que frear bruscamente, encostando na moto que já estava no chão".
Família contesta versão de acidente
Matheus de Paula Lima tinha 23 anos e foi enterrado na manhã de domingo (1º)
Reprodução/TV TEM
A advogada da família, Fernanda Caethano Barbosa, afirmou, em nota, que documentos oficiais apontam que a morte foi causada por "hemorragia interna por agente contundente", reforçando a tese de uma ação violenta e, não, um acidente.
A defesa contesta a versão da GCM e apura se houve dolo eventual (quando se assume o risco de matar). A família informou que não dará entrevistas e que a busca por justiça "será uma resposta necessária à sociedade sobre os limites da atuação das forças de segurança pública".
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