Funcionário da Caixa usava cargo para beneficiar a própria construtora em golpe da casa própria no RS, mostram documentos

  • 18/05/2026
(Foto: Reprodução)
Famílias do RS perdem economias em golpe do financiamento da casa própria Novos documentos reforçam as suspeitas sobre construtoras que teriam enganado clientes no sonho da casa própria no Rio Grande do Sul. Um processo administrativo interno da Caixa Econômica Federal, ao qual a RBS TV teve acesso, detalha como um ex-funcionário do banco teria utilizado o cargo para beneficiar a própria construtora num suposto esquema de fraude em financiamentos. Pedro Marchese trabalhou até o ano passado em uma agência da Caixa em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O processo que resultou no desligamento de Marchese por justa causa, aponta que ele "utilizou o cargo em benefício próprio" e "tratou de forma inadequada informações sigilosas de clientes". 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O comerciário Guilherme Both e a esposa, Bruna, de Porto Alegre, afirmam que Pedro era o responsável pela construtora Vitruviana, que recebeu R$ 290 mil para a obra da casa deles. Segundo Guilherme, tudo acontecia dentro da agência onde o então bancário trabalhava. "A gente não entendia nada de financiamento. E ele: 'não, eu consigo ajeitar para vocês, eu consigo encaminhar vocês'", relata. Guilherme conta que, no dia da assinatura do contrato, Pedro não os atendeu diretamente, mas estava na agência. "Nos cumprimentou após a assinatura do contrato, parabenizando e tudo. O pessoal da agência tinha a canequinha da empresa dele na mesa", lembra. O financiamento para construção funciona com a Caixa liberando o dinheiro em parcelas, conforme laudos que comprovavam o avanço da obra. No entanto, a residência do casal ficou pela metade. Planilhas enviadas pela construtora à Caixa conteriam informações falsas, como etapas 100% concluídas que nem sequer haviam começado. "Revestimentos internos, 75%. Não tem nem reboco na obra. Instalações elétricas e telefônicas, 75% concluído, não tem nada", aponta Guilherme ao ler os documentos. Após denúncias de clientes à Ouvidoria, a investigação interna da Caixa encontrou trocas de e-mails e mensagens entre Pedro e um colega de banco. Em uma conversa, segundo a Ouvidoria, ele menciona ter R$ 100 mil da construtora retidos e o colega pede o CPF do cliente. Em outro e-mail, Pedro solicita a liberação de uma pendência para outro cliente, e o colega responde no dia seguinte: "Feito". O advogado Adriel Gustavo Kuphal, que representa três famílias supostamente lesadas, afirma que o direcionamento era claro. "Eles negociavam contrato de empreitada com o Pedro e, posteriormente, por ele, eles eram direcionados à agência da Caixa em Alvorada, pois lá seria mais fácil de ter o crédito aprovado", explica. A defesa de Pedro Marchese, feita pelo advogado André Guimarães Rieger, nega má-fé. "Ele atendia todos os clientes da Caixa. Conversas pinçadas de uma construtora ou de outra não representam a integralidade do trabalho dele. Ele sim pedia uma certa celeridade, mas ele não tinha poder de fazer com que essa celeridade funcionasse", argumenta. A Caixa Econômica Federal, por meio do superintendente Nacional de Habitação, Raul Gomes, afirma que pune com rigor esse tipo de conduta. "Qualquer tipo de atuação, tipo de desvio, de fraude identificado, a Caixa tem um sistema muito rígido de governança e compliance para agir nesses casos", declarou. Como mostrou o Fantástico no domingo, o problema afeta diversas famílias. Marcella Bohnenberger Telles e Izael Mendes financiaram mais de R$ 500 mil para construir uma casa, mas a obra foi abandonada. "A minha filha tá fazendo quatro anos e era pra ela ter aprendido a caminhar aqui. E ela tem quatro anos e a gente mora de aluguel", lamenta Marcella. O que dizem os citados Procurada, a Caixa Econômica Federal, por meio do superintendente nacional de Habitação, Raul Gomes, afirmou que a responsabilidade pela obra é do cliente. "Não tem nenhum tipo de controle, fiscalização. Nessa modalidade específica, é o cliente quem administra financeiramente a sua obra. Se a construtora que ele contratou (...) aplicou uma fraude a ele, é uma questão entre cliente e construtora", declarou. Sobre o envolvimento de funcionários, o banco disse que apura rigorosamente qualquer desvio de conduta. Pedro André Marchese Sessegolo, ex-funcionário da Caixa e antigo dono da Vitruviana, recorre da demissão na Justiça do Trabalho e nega ter causado prejuízo à Caixa. Famílias do RS perdem economias em golpe do financiamento Reprodução/RBS TV

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/05/18/funcionario-da-caixa-usava-cargo-para-beneficiar-a-propria-construtora-em-golpe-da-casa-propria-no-rs-mostram-documentos.ghtml


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