Fungo "zumbi": parasita que infecta aranhas é descoberto na Mata Atlântica em Nova Friburgo

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Fungo "zumbi": parasita que infecta aranhas é descoberto na Mata Atlântica em Friburgo Um fungo parasita capaz de infectar e consumir completamente o corpo de aranhas foi descoberto na Mata Atlântica, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e ganhou repercussão internacional. A nova espécie, batizada de Purpureocillium atlanticum, foi reconhecida como uma das dez descobertas científicas mais importantes de 2025 pelo Royal Botanic Gardens, Kew, de Londres, uma das principais instituições científicas do mundo na área de biodiversidade. Conhecido popularmente como “fungo zumbi”, o microrganismo infecta aranhas-armadilha, que vivem em tocas subterrâneas, e se desenvolve dentro do corpo do animal até levá-lo à morte. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Purpureocillium atlanticum, foi reconhecida como uma das dez descobertas científicas mais importantes de 2025 João Araújo Como o fungo age no corpo da aranha Segundo o pesquisador brasileiro João Araújo, professor da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, o fungo passa por diferentes estágios até completar seu ciclo de vida. Com o avanço da infecção, o corpo da aranha é tomado por uma massa branca chamada micélio, estrutura vegetativa do fungo. Em um estágio mais avançado, uma estrutura do fungo cresce a partir do corpo do animal e alcança a superfície do solo, facilitando a liberação de esporos no ambiente. Apesar do impacto sobre o hospedeiro, o pesquisador reforça que o fungo não representa risco para humanos. Descoberta durante expedição científica A nova espécie foi encontrada durante uma expedição científica realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural Alto da Figueira, em Lumiar, Nova Friburgo, há cerca de três anos, durante um bio blitz, que reúne pesquisadores de diferentes áreas para catalogar espécies em uma área específica. “Eu fiz de fungo associado a inseto, outros fizeram de borboletas, - até descobriram uma espécie nova de borboleta aqui, de mariposa -, gente trabalhando com répteis… Várias especialidades. Então, foi nessa viagem que a gente descobriu esse fungo roxo, o Purpureocillium na Aranha de Alçapão.”, contou João Araújo. O material coletado passou por análises microscópicas e genéticas, que confirmaram se tratar de uma espécie inédita. O estudo foi publicado em dezembro de 2025 na revista científica IMA Fungus, com a participação de pesquisadores do Brasil e da Europa. Fungo parasita capaz de infectar e consumir completamente o corpo de aranhas. João Araújo Tecnologia acelerou a identificação Segundo João, a tecnologia de sequenciamento genético utilizada no estudo já existe há alguns anos, mas passou por avanços recentes que reduziram significativamente as margens de erro, tornando os resultados mais confiáveis. Ele explica que o principal diferencial é a possibilidade de realizar o sequenciamento diretamente no campo, o que permite identificar rapidamente novas espécies e avançar em outras análises ainda no local da coleta. “Isso reduz o intervalo entre a coleta e a análise em laboratório. Para mim, que sou brasileiro, mas atuo na Dinamarca, esse processo facilita muito, porque a amostra não precisa sair do Brasil. Não é necessário lidar com licenciamento para envio ao exterior, o que permite a colaboração com pesquisadores brasileiros, como equipes da UFRJ e da UFMG, e garante que todo o sequenciamento seja feito no país”, explicou o pesquisador. Conservação foi essencial para a descoberta Para Yan Ramos, gerente da Rppn Alto da Figueira, a descoberta reforça a importância das áreas protegidas para a ciência. “Aqui a gente tem áreas restritas, onde só vai para fazer pesquisa ou monitoramento que a gente faz na floresta, então a gente tem um controle do acesso das pessoas. A maior parte da Rppn é protegida e é intacta”, explicou Yan. Segundo os pesquisadores, o aumento de estudos científicos na região pode trazer benefícios diretos para a conservação ambiental. “É difícil preservar aquilo que a gente não conhece. Quando a pesquisa avança, a gente entende melhor os processos ecológicos e consegue tomar decisões mais eficazes de manejo”, afirmou Yan Ramos. Para o doutorando Danilo Ramos, estudante da Universidade Federal de Viçosa, que participou da pesquisa, a descoberta tem um significado especial. “Como friburguense, é incrível saber que no lugar onde eu nasci ainda existem tantas espécies novas esperando para serem descobertas. Isso mostra o quanto a região é rica do ponto de vista científico”, disse. Potencial para a ciência e a medicina De acordo com o pesquisador João Araújo, o grupo de fungos ao qual pertence o Purpureocillium atlanticum tem grande potencial biotecnológico, principalmente pela capacidade de produzir substâncias químicas que interferem diretamente em outros organismos. Ao longo da história da medicina, compostos extraídos de fungos já deram origem a medicamentos fundamentais em diferentes áreas da saúde. Entre os principais exemplos estão os antibióticos, usados no tratamento de infecções bacterianas, e os imunossupressores, empregados para evitar a rejeição de órgãos em pacientes transplantados e no controle de doenças autoimunes. “Esses fungos produzem substâncias capazes de vencer sistemas imunológicos e inibir outros micro-organismos. Isso pode abrir caminhos para a descoberta de novos antibióticos e outras aplicações médicas”, explicou João Araújo. Segundo os pesquisadores, novas espécies podem revelar compostos úteis ainda pouco explorados, inclusive para áreas como o tratamento de infecções resistentes a antibióticos e o desenvolvimento de novos fármacos. Para os cientistas, a descoberta do Purpureocillium atlanticum reforça a importância da preservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. A perda dessas áreas pode significar também a perda de espécies com potencial científico e médico ainda desconhecido.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/01/30/fungo-zumbi-parasita-que-infecta-aranhas-e-descoberto-na-mata-atlantica-em-nova-friburgo.ghtml


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