(Foto: Reprodução) Cartaz do enredo da Grande Rio para 2026
Reprodução
A Acadêmicos do Grande Rio é a penúltima escola da terça-feira (17).
O desfile deve começar entre 0h55 e 1h15.
O enredo é “A nação do mangue”.
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Enredo e Samba 2026: Grande Rio se prepara para celebrar o Manguebeat na Sapucaí
O enredo
Essa história começa na lama.
Nas margens do Recife (PE), onde o rio encontra o mar, existe o mangue. Durante muito tempo, ele foi visto apenas como lugar de pobreza, sujeira e abandono. Mas quem vivia ali sabia outra coisa: o mangue é fértil, cheio de vida, berçário de peixes, caranguejos e gente.
Foi dessa lama que nasceu uma ideia nova, no início dos anos 1990. Jovens das periferias do Recife passaram a dizer que a cidade estava doente, parada, sem energia. E que a cura não vinha de cima, mas de baixo, das margens. Assim surgiu o Manguebeat.
À frente desse movimento estava Chico Science. Ele e outros artistas misturaram o que parecia não combinar: maracatu, coco e ciranda com rock, hip-hop e música eletrônica. O som tinha a batida do mangue e a antena ligada no mundo. Era tradição e modernidade ao mesmo tempo.
O Manguebeat transformou o mangue em símbolo. A lama virou força, o caranguejo virou personagem, e a periferia virou centro. As músicas falavam de desigualdade, fome, abandono, mas também de festa, invenção e resistência. Recife despertou.
Esse som atravessou fronteiras, inspirou artistas, mudou a música brasileira e mostrou que a cultura das margens podia falar alto, criar, liderar e transformar. O Manguebeat virou uma nação sem fronteiras, feita de ritmo, atitude e identidade.
É essa história que a Grande Rio leva para a Avenida. Ao contar a trajetória do Manguebeat, a escola liga Recife a Duque de Caxias, dois territórios de mangue, duas cidades anfíbias, duas periferias cheias de potência.
Grande Rio vai trazer o Manguebeat para a Sapucaí; veja o samba
Cante o samba
Autores: Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins
Intérprete: Evandro Malandro
Eu sou do mangue, filho da periferia
Sobre uma palafita Grande Rio anunciou
Ponta de lança é Daruê
Dobra o gonguê... a revolução já começou!
Lá vem caboclo, herdeiro de Zumbi
A nação está aqui, não se curva ao poder
Escute, nossa gente vem da lama
Resistência que inflama
Quando toca o xequerê
Casa de gueto! Casa de gueto!
Nossa voz que não se cala
Batuque sem medo, por direito
É o toque das alfaias
Eu também sou caranguejo
À beira do igarapé
Gabiru trabalha cedo,
Cata o lixo da maré
“Manamauê”, maracatu
Saluba, ê, Nanã Yabá
A vida parecida com as águas
Não é doce como o rio
Nem salgada feito o mar
A margem já subiu para a cidade
Entre tronco e cipó
Rebeldia dá um nó... pensamento popular
Gramacho encontrou Capibaribe
Num mundo livre, quero ver você cantar
Freire, ensine um país analfabeto
Que não entendeu o manifesto
Da consciência social
Chico, Manguebeat tá na rua
Caxias comprou a luta e transforma em carnaval
Respeite os tambores do meu ilê
Respeite a cadência do meu ganzá
À frente, o estandarte do meu povo
Pra erguer um tempo novo
Que nos faz acreditar
Ficha técnica
Fundação: 22 de setembro de 1988
Cores: 🔴🟢⚪Vermelho, Verde e Branco
Presidentes de Honra: Jayder Soares, Leandro Soares e Helinho de Oliveira
Presidente: Milton Abreu do Nascimento, o Perácio
Carnavalesco: Antônio Gonzaga
Diretor de Carnaval: Thiago Monteiro
Intérprete: Evandro Malandro
Mestre de Bateria: Fabrício Machado (Fafá)
Rainha de Bateria: Virginia Fonseca
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto
Comissão de Frente: Hélio Bejani e Beth Bejani
Virginia Fonseca no ensaio de quadra da Grande Rio
Webert Belicio/AgNews