Justiça determina a suspensão do corte de árvores no Lago das Rosas, em Goiânia; entenda a polêmica
27/05/2026
(Foto: Reprodução) Revitalização do Parque Lago das Rosas vira queda de braço entre moradores e a Amma
A Justiça determinou a suspensão imediata do corte de árvores no Parque Lago das Rosas, em Goiânia, após pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO). A decisão, assinada pela juíza Simone Monteiro, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal, atende ação apresentada pela 15ª Promotoria de Justiça, que apontou risco de dano ambiental irreversível com a retirada das espécies.
A polêmica começou após a Prefeitura de Goiânia anunciar um projeto de revitalização do parque que previa a retirada de 48 árvores para a instalação de uma estrutura de lazer para animais de estimação, chamada de Pet Place.
Segundo o MPGO, o procedimento administrativo tramitava com acesso restrito e sem participação de outros órgãos técnicos. O órgão também apontou que o parecer da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) autorizava a retirada não apenas de árvores doentes, mas também de exemplares saudáveis, jovens e mudas recém-plantadas.
Na decisão, a Justiça determinou que a prefeitura e a Amma suspendam imediatamente qualquer corte, poda ou retirada de árvores relacionados ao projeto. O município também deverá apresentar, em até cinco dias, o processo administrativo completo, estudos ambientais, pareceres técnicos e laudos fitossanitários individualizados das árvores cuja remoção seja considerada inevitável.
Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multa de R$ 5 mil por árvore cortada ou danificada, limitada a R$ 500 mil.
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Árvores começaram a ser retiradas do Lago das Rosas antes de decisão da Justiça suspender cortes no parque, em Goiânia. Prefeitura prevê revitalização da área; moradores e ambientalistas questionam remoção das espécies
Reprodução/TV Anhanguera
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Mobilização de moradores e técnicos
Segundo a Amma, a maior parte das árvores previstas para retirada apresenta problemas fitossanitários, como comprometimento das raízes, necrose e infestação por brocas. A presidente da agência, Zilma Peixoto, afirmou anteriormente que o laudo técnico possui 51 páginas e foi elaborado por profissionais especializados com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
A agência sustenta que algumas espécies apresentam risco de queda e que a revitalização prevê compensação ambiental com novo plantio de mudas no parque.
Mas retirada de árvores no Lago das Rosas provocou reação de moradores, ambientalistas e especialistas em arborização urbana. Segundo Marcelo Bueno, engenheiro agrônomo, coordenador regional da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana e diretor da Comissão de Arborização Urbana da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás, a discussão começou antes mesmo da polêmica no parque.
De acordo com ele, a população já vinha questionando cortes de árvores em diferentes pontos da capital, como na Marginal Botafogo e em frente ao Tribunal de Justiça de Goiás.
“O Lago das Rosas foi o estopim. A população começou a perceber uma sequência de cortes de árvores pela cidade e passou a questionar se realmente havia necessidade dessas remoções”, afirmou.
Segundo Marcelo, após a repercussão, técnicos e representantes de entidades ambientais participaram de reuniões no Ministério Público para discutir os laudos da Amma e avaliar a situação das árvores previstas para retirada no parque.
Ele contou que um grupo formado por profissionais de diferentes instituições realizou visitas técnicas no Lago das Rosas e passou a discutir alternativas para evitar novos cortes.
“Estamos insistindo que ainda há esperança para essas árvores. Existe um grupo de profissionais avaliando tecnicamente a situação e preparando um documento com sugestões para preservar os exemplares que ainda estão vivos”, disse.
De acordo com o engenheiro agrônomo, o documento deve ser encaminhado à Amma nos próximos dias. Ele afirmou ainda que a análise não é individual, mas resultado de discussões feitas por engenheiros agrônomos, biólogos e professores ligados a instituições e entidades da área ambiental.
Marcelo Bueno também destacou que, além da questão ambiental, o debate envolve memória afetiva e patrimônio urbano.
“As árvores não representam apenas serviço ambiental. Existe uma questão histórica e socioambiental muito forte envolvida nisso”, declarou.
Árvore aparece quebrada após início da retirada de espécies no Lago das Rosas, em Goiânia. Justiça determinou a suspensão imediata dos cortes após ação do MPGO
Reprodução/TV Anhanguera
O que diz o MPGO
Segundo o Ministério Público, havia risco concreto de dano ambiental irreversível, já que árvores levam décadas para serem recompostas e exercem funções importantes no equilíbrio climático e ambiental da cidade.
Na ação, o órgão também argumentou que a execução do projeto poderia violar o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia e o artigo 225 da Constituição Federal, que garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
A decisão judicial ainda cita o princípio da precaução, utilizado no direito ambiental para situações em que há dúvidas técnicas sobre possíveis impactos ambientais.
Segundo o promotor Marcelo Fernandes de Melo, responsável pela ação, a suspensão permitirá que o Ministério Público analise toda a documentação técnica antes de definir novas medidas sobre o caso.
Parque Lago das Rosas no Setor Oeste em Goiânia, Goiás
Vanessa Chaves/G1
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