Justiça manda soltar presidente afastado de empresa de ônibus UPBus, investigada por ligação com PCC
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Ubiratan Antonio da Cunha, presidente afastado da empresa de ônibus UPBus
Reprodução/TV Globo
A Justiça mandou soltar o presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antonio da Cunha, que atuava na Zona Leste de São Paulo e estava detido desde abril de 2025. Além dele, um dos sócios da empresa, Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiú, também tem ordem de soltura.
A decisão é do juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
As prisões foram convertidas em medidas cautelares. Os dois ficam proibidos de se aproximar da sede da empresa ou entrar em contato com testemunhas.
O juiz considerou que as prisões preventivas se alongaram demais. Alexandre estava preso há quase dois anos e Ubiratan, há mais de um. Ele manteve, no entanto, a prisão preventiva de Silvio Luís Pereira, o Cebola, e de Décio Gouveia Luiz, o Decio Português, que estão foragidos.
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O Ministério Público informou que vai recorrer da decisão.
Ubiratan havia se entregado na delegacia do Itaim Paulista. Ele responde a um processo por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem tenta contato com a defesa dele.
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Segundo a investigação, a lavagem era feita por meio da empresa de ônibus então presidida por ele e que foi alvo de intervenção da Prefeitura de São Paulo após uma operação do Ministério Público de São Paulo.
A empresa teve o contrato rompido com a SPTrans em processo que começou em dezembro de 2024. Junto com a Transwolff, as duas empresas foram proibidas pela gestão Ricardo Nunes (MDB) de prestarem serviço público na cidade em janeiro.
Ubiratan já havia sido preso outras duas vezes: no dia 9 de abri de 2024, quando a operação foi deflagrada, mas foi solto em 04 de junho de 2024, alegando problemas de saúde. Foi preso novamente em 20 de dezembro de 2024 e solto em 2 de janeiro de 2025.
Fim do vínculo com a gestão Nunes
As empresas Transwolff e UPBus foram alvo de processo administrativo
Acervo Pessoa/Divulgação
Em 19 de fevereiro, a prefeitura negou o último recurso apresentado pelas empresas Transwolff e UPBus no processo administrativo contra o encerramento do contrato delas de transporte de passageiros. Com isso, os contratos foram rompidos.
Juntas, elas atendiam a mais de 600 mil passageiros por dia nas Zonas Sul e Leste da capital. A Transwolff era responsável por 142 linhas de ônibus da Zona Sul, com 1.146 veículos que transportavam uma média de 583 mil passageiros por dia. Já a UPBus tem frota de 158 ônibus que atendia 13 linhas e transportava 73 mil passageiros por dia na Zona Leste.
Microônibus da empresa UPBus, que operava na Zona Leste de São Paulo
Divulgação/UPBus
As linhas operadas pelas empresas já estavam sob intervenção municipal por, segundo a prefeitura, não cumprirem integralmente os contratos. Em dezembro de 2024, a gestão municipal deu início aos processos para romper os contratos. No final de janeiro, a prefeitura já tinha proibido as duas de operarem linhas de ônibus na capital.
De acordo com o relatório de uma auditoria da prefeitura, a Transwolff perdeu as condições financeiras de continuar operando. Em relação à UPBus, o que motivou a ação da prefeitura foi o fato de a empresa ter como sócios líderes acusados de ligação forte com o PCC.
A suspeitas de que o crime organizado estava infiltrado no transporte público de São Paulo vêm desde os anos 1990, quando parte do sistema era operado por perueiros clandestinos, que faziam o trajeto entre os bairros mais afastados e os terminais de ônibus.