Lua deve virar nova fronteira de disputa por recursos; veja como o Brasil tenta entrar na corrida
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Lua deve virar nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados
A Lua deve virar uma nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados.
Com um programa espacial ainda modesto, o Brasil tenta se inserir nesse cenário por meio de parcerias internacionais. O país negocia acordos com a Nasa para desenvolver projetos voltados à agricultura em ambiente lunar e à tecnologia de satélites.
Por que o interesse pela Lua voltou?
Até pouco tempo, a exploração lunar não era economicamente viável. Hoje, porém, cientistas já identificaram na Lua a presença de minerais e elementos químicos considerados estratégicos para a economia global.
Segundo especialistas, muitos desses materiais também existem na Terra — mas ganharam importância crescente nos últimos anos, especialmente por sua aplicação em tecnologias modernas.
Os chamados “elementos de terras raras”, por exemplo, são essenciais para a indústria eletrônica. Estão presentes em celulares, câmeras, televisores e praticamente todos os dispositivos tecnológicos do dia a dia.
Hélio-3: o 'ouro da Lua'
Entre os recursos mais cobiçados está o hélio-3, um isótopo raro na Terra e abundante na superfície lunar. Ele é apontado como um possível combustível para a energia do futuro.
A aposta está na fusão nuclear — processo que utiliza elementos leves e não gera resíduos radioativos como a fissão nuclear tradicional. Nesse contexto, o hélio-3 é considerado peça-chave por sua eficiência e baixo impacto ambiental.
Empresas privadas já se movimentam nesse mercado. Uma startup norte-americana, por exemplo, desenvolve tecnologias para a extração do material diretamente na Lua.
Brasil quer 'carona' em missão internacional
Cerca de 70 países já participam de acordos de cooperação para exploração lunar, liderados por Estados Unidos e China. O Brasil tenta avançar nesse cenário com dois projetos que podem integrar futuras missões.
Um deles é um satélite científico de clima espacial, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deve orbitar a Lua. O outro é uma parceria com a Embrapa para estudar o cultivo de alimentos em bases lunares.
Entre os primeiros alimentos selecionados estão o grão-de-bico e a batata-doce. A ideia é testar sistemas de agricultura em ambientes controlados, como fazendas verticais ou até cavernas lunares, que poderiam oferecer condições mais estáveis para o plantio.
Da ficção à realidade
A possibilidade de cultivar alimentos fora da Terra já foi explorada no cinema. No filme Perdido em Marte, um astronauta sobrevive ao plantar batatas em solo marciano — cenário inspirado em estudos reais conduzidos pela NASA.
Hoje, iniciativas semelhantes começam a sair do campo da ficção. Estados Unidos e China já realizam testes com sementes em missões não tripuladas à Lua.
De volta à Lua — e rumo a Marte
A nova corrida espacial combina desenvolvimento científico, disputa tecnológica e interesses econômicos. Diferentemente do passado, a presença humana na Lua agora é vista como um projeto de longo prazo.
A expectativa é que o satélite funcione como uma base para futuras missões mais ambiciosas — especialmente para Marte, o chamado “planeta vermelho”.
Especialistas acreditam que a humanidade não apenas retornará à Lua, mas estabelecerá uma presença contínua por lá. E vão além: a primeira pessoa a pisar em Marte, dizem, provavelmente já nasceu.
Esta foto sem data, fornecida pela NASA, mostra uma vista da superfície da Lua a partir da sua órbita.
Ernie T. Wright/NASA via AP
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