Mãe e filho escaparam por segundos de explosão em carro, mas foram arrastados por choque e estão traumatizados, diz pai
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Guerra em Israel: país investiu em sistema de alertas e defesa antiaérea para proteger a população
Uma mãe e o filho escaparam por poucos segundos de uma explosão causada por um míssil em Israel, mas foram atingidos pela onda de choque e arremessados para dentro de um prédio. Segundo o pai, os dois sobreviveram, tiveram ferimentos leves, mas ficaram “muito traumatizados”.
O caso aconteceu em 26 de março, quando um míssil de fragmentação atingiu um carro da família em uma cidade árabe na região central do país. Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que mãe e filho correm para se abrigar. Apenas 26 segundos depois, o veículo é atingido.
“Assim que eles entraram, teve a explosão. A onda de choque jogou os dois alguns metros para dentro”, relatou Iyad Qasem, pai e marido dos dois feridos.
Ele contou que ouviu o impacto de outro andar do prédio e temeu o pior. “Eu desci a escada pensando que o pior podia ter acontecido, porque não temos abrigo. Se estivessem no abrigo, eu estaria mais calmo.”
Momento em que míssil atinge carro de família árabe em Israel.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Apesar do susto, mãe e filho sofreram apenas ferimentos leves. Abalados, eles não quiseram dar entrevista.
Desde o fim de fevereiro, cerca de 500 mísseis foram lançados do Irã em direção a Israel, segundo autoridades.
Os mais difíceis de interceptar são os mísseis de fragmentação, como o que atingiu a família. Esse tipo de armamento se divide em várias partes no ar e já deixou ao menos 23 mortos em pouco mais de um mês.
Israel possui um sistema de defesa antiaérea em camadas, que intercepta a maioria dos ataques ainda no ar. Mesmo assim, parte dos mísseis consegue ultrapassar a proteção.
Rastro de destruição causado por mísseis de fragmentação no centro de Israel
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Em muitas cidades, moradores dependem de aplicativos de alerta que indicam o tempo para buscar abrigo — às vezes, menos de dois minutos. Em áreas onde não há estruturas de proteção dentro das casas, a população precisa correr para escolas, postos de gasolina ou bunkers públicos.
Segundo o pai, o episódio deixou marcas emocionais profundas na família. “Eles estão muito traumatizados”, afirmou.
O caso evidencia a rotina de tensão vivida por civis em meio à guerra, em que segundos podem determinar a sobrevivência.
A rotina em um bunker
A cena se repete em Tel Aviv. Pessoas caminham, trabalham e frequentam a praia até que o alerta interrompe tudo.
“Tem um abrigo logo aqui, não se preocupe”, diz uma funcionária a clientes durante um dos alarmes. Questionada se está calma, responde: “Sim, por que não?”.
No subsolo, abrigos têm portas de aço reforçado, filtros de ar e estoques de água. “Aqui a gente se sente mais seguro”, afirma Yafit, uma mulher com ascendência iraniana que reside em Israel e que decidiu passar dias em um desses espaços.
"Já fiz amizades aqui, judeus, israelenses, árabes. Uns ajudam os outros", diz a mulher.
A rotina nos bunkers israelenses
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Durante a madrugada, novos alarmes. Em um bunker, um mapa exibe os mísseis lançados em direção ao país.
Um morador ouvido pela equipe avalia o conflito com o Irã: “Acho necessário. Quando um país não democrático tem arma nuclear, isso é perigoso”. Mas pondera:
“Tenho amigos no Líbano, na Síria, no Irã… as pessoas só querem paz”.
Em cidades como Ramat Gan, os ataques deixam marcas visíveis. “Enquanto a gente estava no refúgio, caiu um míssil aqui nessa rua”, relata o repórter ao voltar ao local.
Aplicativo da defesa civil de Israel
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Ainda assim, a resposta é rápida. Em menos de uma hora, a área é limpa e a rotina recomeça.
Autoridades admitem que o país está preparado para uma guerra longa. Mas, como resume um comandante David Ram, da Defesa Civil de Israel:
“Normal, nunca. O objetivo é apenas viver o melhor possível [em meio à guerra]", diz o comandante.
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