'Me ajuda, Santo Antônio'? Devoção ao santo 'casamenteiro' vai além da busca por par romântico; entenda
13/06/2026
(Foto: Reprodução) Preparação para o tradicional bolo de Santo Antônio começa em Sorocaba
Na semana do Dia dos Namorados, uma tradição centenária volta a ganhar destaque em igrejas católicas de Sorocaba (SP). A distribuição do bolo de Santo Antônio atrai fiéis com a esperança de encontrar uma medalha escondida na massa, o que, segundo a crença popular, é sinal de sorte e ajuda do santo "casamenteiro" para encontrar a alma gêmea.
Celebrado em 13 de junho, o Dia de Santo Antônio reúne milhares de devotos em missas e festas religiosas. O costume do bolo com medalhas é um dos mais populares no país e une a fé à cultura popular.
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Apesar da forte crença de que encontrar o objeto dentro da massa signifique sorte no amor, no entanto, a devoção ao santo "casamenteiro" vai muito além da busca por um par, segundo o padre Fernando Henrique Giuli Batista, da Paróquia São Francisco de Assis, em Sorocaba.
Tradição ligada à caridade
Tradição de Santo Antônio, conhecido como o santo 'casamenteiro', se mantém viva e presente na cultura de muitos fiéis em todo o Brasil
Reprodução/Pixabay
Para explicar o motivo da afirmação, é preciso voltar ao século XIII. Segundo o padre, a origem da tradição está relacionada ao trabalho de caridade realizado por Santo Antônio ainda naquela época.
"Era essa a teologia de Santo Antônio: levar o pão da palavra de Deus e, junto, o pão material para sustentar os pobres, alimentar a alma e o corpo", explica.
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O hábito mais antigo é a distribuição de pães aos mais vulneráveis. O bolo surgiu depois no Brasil, inspirado no mesmo princípio de partilha.
"A tradição de colocar uma medalhinha do santo e aquele que achar Deus possa preparar um casamento para ele. Se ele já for casado, também não há problema em encontrar a medalha, é sinal de fortalecer o vínculo do matrimônio. Mas, acima de tudo, em nossas celebrações é recordada justamente a questão da caridade", afirma.
O significado da medalha
Com o passar dos anos, a tradição do bolo ganhou um elemento especial: a inclusão de medalhas do santo dentro da massa. Segundo o padre, a crença popular associa a descoberta da medalha à intercessão de Santo Antônio na vida afetiva dos fiéis.
Apesar da forte associação com a vida afetiva, o sacerdote ressalta que a devoção vai além da busca pelo parceiro romântico.
"No Brasil, a questão do casamento é muito forte, mas ele não é só santo 'casamenteiro'. Santo Antônio é doutor da Igreja, tem textos belíssimos, uma teologia maravilhosa e dedicou sua vida ao estudo da Palavra de Deus e à caridade", afirma.
Entrega do bolo com a medalhinha é tradição
Diocese de São José do Rio Preto/Divulgação
Surgimento da fama de santo 'casamenteiro'
A associação de Santo Antônio com os casamentos também tem origem em um episódio atribuído à vida do religioso. De acordo com a tradição católica, ele ajudou financeiramente uma jovem que não possuía recursos para custear o próprio casamento.
"Torna-se 'casamenteiro' porque, em uma ocasião, uma pessoa precisava do casamento, mas não tinha o 'dote' [grande quantidade de dinheiro]. Naquela época, século XIII, não tinha como pagar, então o Santo Antônio ajudou para que aquela moça pudesse se casar", explica o padre.
Com a chegada dos portugueses ao Brasil, a devoção ao santo e às tradições ligadas ao casamento se fortaleceram e foram incorporadas à cultura popular.
Mais do que uma simpatia
Medalhas do bolo de Santo Antônio
Arquivo pessoal
Embora a busca por um amor seja a principal motivação de muitos devotos que participam da tradição do bolo, a Igreja reforça que a celebração também é um convite à solidariedade.
"Acima de tudo, nossas celebrações recordam a questão da caridade. Aquele que é devoto de Santo Antônio recebe o pão da Palavra de Deus e também partilha o pão material com aqueles que mais precisam", conclui o padre.
Tradicionais medalhinhas estão presentes em pedaços do bolo de Santo Antônio
Reprodução/Pascom
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*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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