MPF cobra explicações da União após domínio do Comando Vermelho em garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé (MT)
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar o cumprimento de uma decisão judicial que determinou a adoção de medidas para combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, e determinou que a União apresente andamento das ações na região.
O território indígena se tornou um dos mais devastados do país em razão da exploração ilegal de ouro, que se intensificou nos últimos dois anos com a presença de integrantes de facção criminosa do Comando Vermelho.
O MPF solicitou que a União, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentem, no prazo de 15 dias, informações sobre as ações adotadas para cumprir a decisão judicial proferida em 2022.
O g1 entrou em contato com os órgãos citados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Segundo o MPF, o procedimento foi aberto após a constatação de que ainda não houve o cumprimento efetivo da sentença. Os órgãos também deverão esclarecer a suposta falta de articulação na execução do plano de proteção da terra indígena.
A medida foi formalizada em portaria assinada pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, e publicada no Diário Oficial desta terça-feira (8).
A decisão é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal em 2017 contra a União, Funai, ANM, Ibama e Incra. Na ocasião, a Justiça determinou que os órgãos elaborassem e executassem um plano de ação voltado ao enfrentamento do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé.
Conforme a portaria, durante a fase de cumprimento da sentença, os órgãos públicos não comprovaram a efetiva execução das obrigações impostas pela Justiça.
O documento também informa que a iniciativa atende a um pedido da Procuradoria da República em Cáceres, responsável pela atuação no caso, que solicitou apoio para definir estratégias e acompanhar a implementação das medidas previstas no plano de ação.
Avanço do garimpo e atuação do crime organizado
Garimpos ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país
Reprodução JN
Investigações da Polícia Federal, o garimpo conhecido como Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro dentro da terra indígena, passou a ser controlado por integrantes da facção criminosa.
Ao longo de 2025, diversas operações de combate ao garimpo ilegal foram realizadas na região, resultando na destruição de maquinário e de acampamentos utilizados na atividade. Em agosto do mesmo ano, uma operação integrada envolvendo órgãos federais e de três estados foi deflagrada com o objetivo de intensificar o enfrentamento ao garimpo.
Dados de monitoramento apontam que o território registrou 1.814 alertas de atividade garimpeira, o maior número entre as terras indígenas brasileiras.
De acordo com as forças de segurança, a proximidade da área com a fronteira da Bolívia transformou a região em uma rota estratégica para o tráfico de drogas. A partir de 2022, grupos criminosos passaram a ampliar sua atuação no território e, em 2024, avançaram sobre a atividade garimpeira, utilizando a exploração ilegal de ouro como fonte de financiamento.