Número de desaparecimentos no 1º semestre de 2026 é o maior em 10 anos; média é de 10 casos por hora

  • 02/09/2026
(Foto: Reprodução)
Dez pessoas desaparecem a cada hora no Brasil O Brasil registrou, no primeiro semestre de 2026, o maior número de pessoas desaparecidas da última década. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, foram 43.910 registros entre janeiro e junho deste ano, contra 35.663 no mesmo período de 2016. O aumento foi de 23%. A média passou de 196 desaparecimentos por dia, em 2016, para 242 por dia em 2026. O número equivale a cerca de 10 casos por hora. 🔢Em dados absolutos, São Paulo teve o maior número de registros no semestre, com mais de 10 mil casos. Na sequência aparecem Minas Gerais (4.864), Rio Grande do Sul (4.037), Rio de Janeiro (3.364) e Paraná (3.054). 🔢Em dados proporcionais, o Distrito Federal lidera o ranking, com 65,89 casos por 10 mil habitantes. O índice é quase o dobro da média nacional, de 35,14 casos por 100 mil habitantes. Os dados mostram também que três em cada dez pessoas desaparecidas no país têm entre 0 e 17 anos. Desaparecimentos no país (1º semestre de 2026) Registro deve ser imediato, diz polícia A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa de São Paulo, Ivalda Aleixo, afirma que a família deve procurar a polícia assim que perceber que a pessoa saiu da rotina. “Afamília sabe, né. Quem convive com essa pessoa sabe, imediatamente. [Tem que] Providenciar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima”, disse. Segundo ela, parte dos casos envolve adolescentes, principalmente meninas, em situações ligadas a contatos feitos pela internet. “Hoje nós estamos tendo algumas adolescentes, mais as meninas, né, que têm desaparecido, por conta do contato na internet. Infelizmente, começa com um namoro virtual, e elas às vezes vêm até de outra cidade, outro estado, vai para encontrar aquela pessoa que elas estavam ali tendo um relacionamento virtual mesmo. Acaba sendo levada”, afirmou. Cartazes de pessoas desaparecidas, em imagem de arquivo TV Globo/Reprodução Ivalda Aleixo disse também que há casos de desaparecimento voluntário. “Nós temos também o desaparecimento voluntário. E por vários motivos. Hoje as chamadas ‘bets’ têm feito um bom estrago nisso, porque a pessoa fica com uma dívida, entra em desespero, acaba emprestando dinheiro aí de pessoas que se aproveitam da situação, e ela acaba: ‘Tô sumindo, vou desaparecer’. Às vezes vai pra casa de um parente longe, não dá notícias, ou de um amigo, alguma coisa. E, infelizmente, também o desaparecimento porque a família vai como desaparecimento, mas foi vítima de tráfico de pessoas”, disse. Segundo a diretora, a Delegacia de Pessoas Desaparecidas registrou 3.900 comunicações de desaparecimento entre janeiro e julho deste ano. “A gente conseguiu, desse ano, uma média de 40%, 40%, nós conseguimos localizar, identificar o problema, porque a gente quer também saber, né, o que foi que aconteceu (...) é uma média de 40%, 50% de retorno”, afirmou. Promotora defende articulação entre órgãos A promotora de Justiça Eliana Vendramini, fundadora do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público de São Paulo, afirmou que é preciso integrar os órgãos que atuam na busca. “Ministério Público, saúde, segurança, educação para que a gente possa todos buscarmos. Ninguém vai buscar sozinho, ninguém vai conseguir um bom trabalho sozinho, mas se houver articulação, se houver banco de dados”, disse. Ela afirmou que essa integração pode reduzir o número de casos sem solução. “Estaríamos diminuindo muito mais essa cifra, essa dor, para que a gente possa trabalhar outras situações como desaparecimento forçado, que sequer é crime no Brasil”, afirmou. Índice de pessoas desaparecidas no primeiro semestre de cada ano, na série histórica TV Globo/Reprodução Classificações do desaparecimento O desaparecimento de pessoas é classificado juridicamente e nos protocolos de segurança em três categorias principais: voluntário, involuntário e forçado. Voluntário: Ocorre quando uma pessoa maior de idade e capaz decide sair de casa ou cortar vínculos por vontade própria, sem avisar familiares, devido a conflitos, esgotamento ou recomeço pessoal. Involuntário: Acontece por eventos imprevistos ou acidentais, como desastres naturais, acidentes de trânsito, perdas de memória, crises graves de saúde mental ou o afastamento acidental de menores de idade de seus responsáveis. Forçado: Envolve crimes, coação, violência, ameaças, fraude ou abuso de poder. Exemplos incluem sequestros, tráfico humano, aliciamento ou desaparecimento forçado praticado ou acobertado por agentes do Estado. Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas A Lei nº 13.812/2019 trouxe mudanças importantes na forma como o poder público deve agir diante do desaparecimento de pessoas no Brasil. A norma criou a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, com a proposta de dar mais agilidade às buscas e integrar informações entre polícias, órgãos públicos e outras instituições. Entre os principais avanços está a determinação de que todo caso de desaparecimento seja tratado com urgência e prioridade, além da criação de bancos de dados públicos, sigilosos e genéticos para auxiliar na identificação de desaparecidos e de corpos sem identificação. Outro ponto central da lei é o fim da espera para o registro da ocorrência: a comunicação do desaparecimento deve ser feita e processada imediatamente pela autoridade policial, que também deve acionar os sistemas nacionais e iniciar as providências de busca. Nos casos envolvendo crianças e adolescentes, há proteção reforçada, com comunicação obrigatória ao Conselho Tutelar e possibilidade de emissão de alertas em rádio, TV e outros meios quando houver risco à vida ou à integridade física. A legislação ainda prevê apoio psicossocial às famílias, autoriza a divulgação de informações para ajudar na localização e permite, com autorização judicial, o uso de tecnologia como dados de localização de celulares durante as investigações. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/09/02/numero-de-desaparecimentos-no-1o-semestre-de-2026-e-o-maior-em-10-anos-media-e-de-10-casos-por-hora.ghtml


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