Paralisação de ônibus em Manaus deixa terminais lotados e passageiros reclamam da falta de serviço em diversas zonas da capital
20/07/2026
(Foto: Reprodução) Paralisação de ônibus em Manaus: rodoviários paralisam 100% da frota nesta segunda-feira
A paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo iniciada nesta segunda-feira (20), em Manaus, deixou centenas de passageiros à espera do serviço nos terminais de integração da capital. O Sindicato dos Rodoviários comunicou a interrupção da circulação de ônibus por meio das redes sociais e gerou surpresa para quem depende do transporte público em diversos bairros.
Na Zona Norte, a camareira Alice Cristina esperava o ônibus para ir a uma consulta no Centro, mas perdeu o horário por conta da paralisação.
"Tenho um exame de risco cirúrgico, tinha que fazer às três horas da tarde na Avenida Getúlio Vargas, mas até o momento nem sinal de ônibus sair, aí fica difícil pra mim. Eu vou ver se consigo remarcar pra outro dia. É o jeito", reclama.
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Camareira Alice Cristina esperava o ônibus para ir a uma consulta no Centro.
Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Já a dona de casa Naira Souza estava no Terminal 1, na Zona Sul da capital, e voltava para casa com a filha de dois anos de idade. "Eu vinha da delegacia da mulher, mas não avisaram nada, agora com minha filha pequena vou ter que esperar nem sei quanto tempo", destacou.
Filas de ônibus se formaram nas avenidas Leonardo Malcher e Constantino Nery. A técnica em saúde bucal Kamila Cristina disse que se sentiu prejudicada com a paralisação.
"Eles precisam resolver isso entre eles, os empresários e o sindicato, sem envolver a população", disse.
Passageiros aguardam ônibus no Terminal 4 durante paralisação dos rodoviários em Manaus.
Jucélio Paiva/Rede Amazônica
IMAGENS: Veja fotos da paralisação que interrompeu a circulação de ônibus em Manaus
Motivo da paralisação
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação é motivada pelo atraso nos pagamentos dos salários da categoria. Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a decisão foi tomada após as empresas de ônibus continuarem descumprindo os prazos de pagamento.
Em entrevista à Rede Amazônica, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Josenildo Silva, disse que o pagamento dos trabalhadores já foi garantido anteriormente por sentença judicial, que, segundo ele, não foi respeitada e cumprida pelas empresas de transporte coletivo.
"Mesmo com a sentença assinada pelo desembargador Jorge Álvaro multando as empresas, eles não respeitaram. A Prefeitura precisa resolver essa pasta. O trabalhador precisa pagar as contas, tem água, tem luz, aluguel", informou.
No início deste mês, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) concedeu uma liminar determinando que as empresas do transporte coletivo paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) informou que foi surpreendido pela paralisação do transporte coletivo urbano de Manaus, e afirmou que não recebeu aviso prévio nem foi procurado pelo sindicato dos rodoviários para tratar do movimento.
A entidade disse que mantém diálogo aberto com os trabalhadores, informou que vai adotar medidas judiciais para restabelecer a operação dos ônibus e espera que o serviço seja normalizado o mais rápido possível.
A Prefeitura de Manaus afirmou que não possui débitos pendentes do ano de 2026 junto ao Sinetram, "estando suas obrigações financeiras regularmente executadas para o ano corrente".
O Governo do Amazonas afirmou que está cumprindo as obrigações relacionadas ao Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual em Manaus e informou que repassou mais de R$ 31,1 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) referentes a 2025.
Sobre os valores ainda pendentes, o Estado disse que realizou um depósito judicial no ano passado, conforme determinação da Justiça, mas os recursos não foram liberados porque, segundo o governo, o Sinetram não assinou a petição conjunta necessária para concluir o procedimento.
O governo também afirmou que segue os critérios definidos pela Justiça para calcular os repasses da meia-passagem estudantil e disse que precisa dos dados detalhados de utilização do benefício pelos estudantes para efetuar os pagamentos. Segundo o Estado, essas informações ainda não foram apresentadas pelo Sinetram, o que impede novos repasses sem comprometer as exigências legais e de transparência na aplicação dos recursos públicos.