Pesquisadores da UFPB desenvolvem colete com sensores para monitorar clima, ruído e poluição nas cidades; saiba como funciona

  • 23/08/2026
(Foto: Reprodução)
Equipamento de monitoramento climático desenvolvido por estudantes da UFPB Reprodução CEAR. Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) desenvolveu um equipamento vestível para monitorar as condições climáticas em regiões urbanas. Batizado de MiMon Vest (Microclimate Monitoring Vest), o dispositivo permite a coleta de dados em diferentes pontos das cidades e amplia as possibilidades de análise do microclima urbano. Na prática, o equipamento complementa o trabalho das estações meteorológicas fixas. Por ser compacto e portátil, ele pode ser utilizado em ruas, bairros, praças e parques, permitindo a coleta de informações em locais próximos de onde as pessoas circulam e permanecem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O projeto foi desenvolvido por estudantes do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECAM), com a participação de pesquisadores do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR). Segundo a mestranda do PPGECAM Ivonete Borne, o equipamento reúne sensores protegidos por estruturas leves, o que facilita o transporte durante a coleta dos dados. “O equipamento possui nove sensores, que permitem monitorar temperatura e umidade do ar, temperatura de globo, ruído, concentração de CO₂, pressão atmosférica, localização por GPS, iluminância e radiação ultravioleta (UV). Esses registros são realizados a cada minuto e armazenados em um cartão de memória. Buscamos materiais que fossem leves, mas que mantivessem a rigidez necessária para sustentar os sensores, o equipamento pesa aproximadamente 1 kg”, explicou. Agora no g1 Fase de testes Desde 2020, quatro protótipos do MiMon Vest foram desenvolvidos. Inicialmente, os pesquisadores realizaram testes em laboratório para aprimorar os sensores. Em seguida, o equipamento passou por testes em campo. Nessa etapa, foram coletados dados em diferentes regiões, além da realização de pesquisas com a população para verificar os resultados obtidos pelo monitoramento. “A partir dos levantamentos realizados nos parques, foi possível identificar variações nas condições microclimáticas ao longo dos percursos monitorados. O que o equipamento demonstrou foi sua capacidade de registrar condições ambientais em escala mais próxima do pedestre e acompanhar as variações encontradas nos espaços analisados”, detalhou. Os primeiros testes ainda não apresentam resultados conclusivos, mas indicam o potencial de uso do equipamento em estudos futuros. Segundo Ivonete, a proposta não é substituir as estações meteorológicas, mas complementar esse tipo de monitoramento e permitir uma análise mais detalhada das condições encontradas nos espaços urbanos. “Nossos espaços urbanos apresentam características muito diferentes: temos áreas arborizadas e não arborizadas, diferentes tipos de pavimentação, áreas expostas ao sol e sombreadas, além de diferenças na própria configuração urbana, que também pode interferir, por exemplo, na ventilação. Nossa proposta não é substituir uma estação meteorológica. É complementar esse tipo de monitoramento, permitindo investigar com maior detalhe aquilo que acontece nos espaços onde as pessoas realmente circulam e permanecem”, complementou Ivonete. Na fase atual, os pesquisadores ainda analisam algumas limitações da tecnologia. Entre elas está a calibração de sensores que não puderam ser verificados por falta de equipamentos. Custo e autonomia Cada unidade do MiMon Vest custa entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil, considerando toda a estrutura eletrônica do equipamento. Apesar de ainda precisar passar por novos testes, a tecnologia já apresenta capacidade de funcionamento autônomo. Segundo Ivonete, cada unidade pode operar por pelo menos oito horas seguidas, o que permite a realização de longos períodos de coleta de dados. Próximos passos O MiMon Vest já foi registrado na INOVA UFPB para proteção da tecnologia. Segundo Ivonete, os próximos passos incluem ampliar o uso do equipamento e avaliar seu potencial para auxiliar no diagnóstico das condições climáticas em espaços públicos. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia possa ser utilizada como ferramenta de apoio por gestores públicos, pesquisadores e profissionais envolvidos no planejamento urbano e ambiental. “Futuramente, o dispositivo pode se tornar uma ferramenta de apoio para gestores públicos, pesquisadores e profissionais envolvidos com planejamento urbano e ambiental. Essas informações podem auxiliar estudos relacionados à arborização, sombreamento, escolha de materiais e outras estratégias de planejamento urbano. Quando associamos esses dados à percepção das próprias pessoas que utilizam os espaços, conseguimos acrescentar uma informação muito importante: não estamos analisando apenas o ambiente, mas também como as pessoas percebem e vivenciam aquele ambiente”, finalizou. *Sob supervisão de Erickson Nogueira Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/08/23/pesquisadores-da-ufpb-desenvolvem-colete-com-sensores-para-monitorar-clima-ruido-e-poluicao-nas-cidades-saiba-como-funciona.ghtml


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