PF apura suspeitas de difamação e obstrução de justiça em inquérito sobre influenciadores
28/01/2026
(Foto: Reprodução) PF abre inquérito para investigar caso de influenciadores pagos para atacar BC após liquidação do Master
A Polícia Federal foca em duas principais suspeitas de crimes no inquérito aberto no caso Master sobre atuação de influenciadores.
Investigadores avaliam que há indícios de difamação e obstrução de justiça, ou seja, uma tentativa de atrapalhar as investigações ou manipular o resultado das apurações criminais.
A PF mira nesses dois crimes pelos indícios colhidos até aqui. A partir das provas que encontrar no inquérito, espera estabelecer quais condutas criminosas podem ter ocorrido.
A suspeita é de que influenciadores digitais receberam dinheiro para fazer um ataque coordenado contra o Banco Central no caso Master, com falas para desinformar sobre a liquidação do banco Master, dando a entender que teria sido uma ação precipitada ou errada por parte do Banco Central.
Os ataques em si configurariam o crime de difamação. Já no caso da suspeita de obstrução de justiça, o que será verificado é se houve a tentativa de influenciar o poder judiciário descredenciando um órgão técnico como o Banco Central.
⛓️💥O artigo 2º da Lei de Organizações Criminosas pune com reclusão, de 3 a 8 anos, e multa, quem impede ou embaraça a investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, desde que o fato não constitua crime mais grave.
🔎Na prática, com base nessa lei, é um tipo penal que inclui a tentativa — que pode ser frustrada ou não.
E se, com isso, o objetivo seria criar uma nuvem de fumaça em cima da atuação do regulador e interferir no processo criminal.
Todos esses crimes só serão confirmados ou descartados no decorrer da investigação até a fase do relatório final, que vai ou não apontar indiciamentos. Nessa fase a PF vai reunir dados, postagens e depoimentos de suspeitos.
Banqueiro, pastor e empresários: quem são os principais alvos da PF no caso do Banco Master?
Getty Images via BBC
Toffoli autoriza inquérito
A PF abriu um inquérito para investigar denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos com críticas ao Banco Central (BC), após a instituição decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A decisão do BC ocorreu em novembro do ano passado, após a PF realizar uma operação contra Vorcaro e outros integrantes da diretoria do Master, acusados de fraudes financeiras. Nesta semana, a Justiça começou a ouvir os depoimentos dos investigados no caso.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. A PF fez uma análise preliminar das postagens e identificou possíveis crimes e pediu ao Supremo autorização para investigar. A ideia é apurar uma ação orquestrada contra o BC.