Posição de Lula sobre PCC e CV como terroristas nos EUA deve reforçar impacto econômico e risco ao PIX
29/05/2026
(Foto: Reprodução) O Palácio do Planalto está fechando uma nota oficial que irá ser divulgada ainda nesta sexta-feira (29) em reação ao anúncio dos Estados Unidos de equipararem a terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O texto reforçará os danos que a medida pode trazer à economia do país, inclusive ao PIX, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (entenda mais abaixo).
Ponto central da posição do governo será reforçar que a parceria com os EUA no combate ao crime organizado continua forte assim como outras parcerias para combater as facções.
Segundo interlocutores do governo ouvidos pelo blog, Lula não quer um enfrentamento com a gestão de Donald Trump.
Decisão dos EUA sobre facções pode impactar mercado
Na arena eleitoral, a estratégia será reforçar não só possíveis perdas para o setor financeiro que podem ocorrer a partir da medida, mas até uma ameaça ao PIX — que já é alvo do governo Trump.
A acusação dos americanos é de que o meio de pagamento pode facilitar uso de recursos pelas organizações criminosas.
Na prática, a menção ao PIX comunica diretamente com a população, já que o meio de pagamento é o queridinho dos brasileiros.
Ao citar riscos ao PIX, o governo também joga na oposição, mais especialmente no pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a responsabilidade pela nova medida vinda do Departamento de Estado dos Estados Unidos, onde o senador foi recebido na quarta (27).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nas últimas horas com diversos auxiliares sobre o tema. Além do chanceler Mauro Vieira, discutiu o assunto com o assessor internacional Celso Amorim e com os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça) e Dario Durigan (Fazenda).
Flávio Bolsonaro em encontro com Trump; Lula em reunião com Trump
Reprodução
Tentativa é criar reação semelhante ao do 'tarifaço'
A estratégia de evocar riscos ao PIX repete a tática usada pelo Planalto na crise do "tarifaço" de 2025, quando Donald Trump colocou em vigor uma taxa de 50% sobre os produtos brasileiros.
Na época, além de rebater a medida demonstrando o superávit bilionário dos EUA, o governo brasileiro apostou alto na diplomacia presidencial direta.
Lula e Trump conversaram de forma reservada para abrir negociações, oportunidade em que os dois presidentes trocaram telefones para estabelecer uma linha direta de comunicação.
Pouco tempo depois, o esforço culminou em um aperto de mãos presencial, quando Lula e Trump se encontraram na Malásia e iniciaram formalmente o acordo sobre as tarifas.
Esse diálogo direto foi classificado pelo Planalto como o motor para que a Casa Branca cedesse no pragmatismo econômico e assinasse um decreto reduzindo e retirando tarifas de diversos produtos do agronegócio brasileiro, citando nominalmente o avanço nas conversas com Lula.
Agora, a tentativa é criar uma reação semelhante à do tarifaço: usar o forte apelo de um tema financeiro para constranger Washington e reabrir canais diretos de negociação política.