Prefeito diz que facções e Suape levaram Cabo de Santo Agostinho a ser uma das cidades mais violentas do Brasil

  • 24/07/2026
(Foto: Reprodução)
Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012 O crescimento das facções criminosas e o Complexo Industrial de Suape são apontados como alguns dos motivos para a cidade do Cabo de Santo Agostinho se tornar uma das cidades mais violentas do país, de acordo com o prefeito do município. Em entrevista ao g1, Lula Cabral (PDT) comentou os resultados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados na quinta-feira (23). O documento aponta a cidade da Região Metropolitana do Recife em 8ª lugar no ranking das mais violentas do país, com uma taxa de 65,1 homicídios por 100 mil habitantes. Conforme o levantamento, o estado apresentou queda de 9,3% na taxa de homicídios nos últimos dois anos, mas continua entre os mais violentos do Brasil (veja detalhes mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Quinta maior cidade do Grande Recife, com mais de 203 mil habitantes, o Cabo de Santo Agostinho também esteve entre as 20 mais violentas do país no levantamento feito em 2025. Ficou em 5º lugar no ranking, com uma taxa de 73,3 homicídios por 100 mil habitantes, e, com isso, caiu quatro posições de um ano para outro. Lula Cabral está no quarto mandato como prefeito do Cabo de Santo Agostinho, todos exercidos nos últimos 21 anos. Ele já foi eleito em 2004, 2008 e 2006, além da última eleição, em 2024. Segundo ele, há muitas facções criminosas na cidade. "Quando entrei agora no último mandato aqui, as escolas estavam todas pichadas com CV [sigla da organização criminosa Comando Vermelho], com comandos que outrora a gente só via no Rio de Janeiro. Hoje, estão operando aqui em Pernambuco, e a cidade do Cabo não é uma ilha", afirmou o gestor. O anuário indica como um dos fatores para a alta taxa de homicídios no Cabo de Santo Agostinho a proximidade do Complexo Portuário de Suape, descrito como um "ponto importante de rota para tráfico internacional de drogas". A hipótese é compartilhada pelo prefeito. "Com o desenvolvimento que veio para cá, a questão social ficou no Cabo de Santo Agostinho.(...) A chegada do desenvolvimento a gente agradece Suape, mas também ficaram aqui os problemas sociais. Chegou muita gente na nossa cidade, veio muita gente trabalhar e aqui ficaram os 'filhos de Suape'. Aqui ficaram os problemas sociais. É preciso que o governo do estado e o governo federal nos ajudem a combater", afirmou. O prefeito afirmou que a responsabilidade maior pela segurança pública é do governo do estado, e que o município "faz o que é possível". Ele lembrou que, em 2025, solicitou o envio da Força Nacional de Segurança Pública, a partir do governo estadual. Entretanto, o pedido foi negado pela governadora Raquel Lyra (PSD). "A governadora não atendeu nosso pedido, mas melhorou o efetivo de policiais militares aqui no Cabo", afirmou. O gestor garantiu que a cidade tem tomado medidas para tentar frear a violência, como capacitação e armamento da Guarda Municipal e compra de viaturas. Ele também prometeu construir três unidades de Centros Comunitários da Paz (Compaz) na cidade até o fim de sua gestão, em 2029. Além disso, Cabral celebrou a melhora de três posições do Cabo no ranking das cidades mais violentas. O município saiu da 5ª para a 8ª posição. Ele chamou o movimento de "uma trajetória consistente de queda da violência". Anuário Brasileiro de Segurança Pública Praia de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife Reprodução/Google Street View Conforme o levantamento, Pernambuco apresentou uma queda de 9,3% na taxa de homicídios nos últimos dois anos: recuou de 36,4 em 2024 para 33 em 2025. Apesar disso, o estado continua entre os mais violentos do Brasil, figurando em 5º lugar. No ano anterior, estava na 4ª colocação. Segundo o documento, nesse período, o estado teve queda em três dos quatro índices de Mortes Violentas Intencionais (MVIs), mas apresentou um aumento de mais de 30% no número de assassinatos em intervenções policiais. Além disso, houve crescimento no quantitativo de feminicídios e crimes de LGBTfobia. De acordo com o relatório, produzido anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2025, Pernambuco registrou 3.159 MVIs. Em 2024, foram 3.474 casos. Os MVIs abrangem os seguintes tipos de ocorrência: Homicídio doloso (quando há intenção de matar): número caiu de 3.287 casos em 2024 para 2.970 em 2025 (-9,6%) Latrocínio (roubo seguido de morte): de 78 para 58 (-25,6%) Lesão corporal seguida de morte: de 31 para 28 (-9,6%) Morte decorrente de intervenção policial (em e fora de serviço): de 78 para 103 (+32,05%) O levantamento avalia dados dos 26 estados e dos 338 municípios do país que têm mais de 100 mil habitantes, com base em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais e pelas polícias. Procurada, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que a melhoria nos indicadores de criminalidade se deve a ações como investimentos em infraestrutura, equipamentos, inteligência, tecnologia e contratação de novos policiais. Os números, conforme a secretaria, "mostram que a política pública de defesa social está baseada no planejamento estratégico e investimentos para reestrutruração e reaparalheamneto da segurança pública". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/07/24/prefeito-diz-que-faccoes-e-suape-levaram-cabo-de-santo-agostinho-a-ser-uma-das-cidades-mais-violentas-do-brasil.ghtml


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