Quadrilha que vendia armas feitas em impressoras 3D oferecia tutorial e acompanhamento técnico

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Civil faz ação contra venda de armas produzidas por impressoras 3D A quadrilha investigada na Operação Shadowgun, que mira um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D, também oferecia tutorial e acompanhamento técnico para que compradores fabricassem suas próprias armas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A informação foi divulgada nesta terça-feira (12) pelo procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, durante coletiva sobre a investigação. Segundo ele, além de vender armas prontas, o grupo passou a comercializar um projeto digital que ensinava como produzir o armamento em casa. "O que surgiu a partir dessa investigação foi algo diferente. Não são fábricas, são pessoas, principalmente duas pessoas, que idealizaram um projeto digital e passaram, além de comercializar as armas fabricadas, passaram a comercializar esse projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico", disse procurador-geral. Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, grupo comercializava projeto digital que permitia que qualquer pessoa produzisse armamento em casa com impressora 3D. Reprodução TV Globo De acordo com o procurador, esse modelo amplia o risco de disseminação do armamento porque permite que qualquer pessoa com acesso à tecnologia possa produzir armas de fogo. "Isso é extremamente preocupante porque permite que qualquer um a partir desse projeto digital e uma impressora 3D possa produzir, fabricar armas de fogo". Segundo ele, a fabricação utilizava polímero — um plástico de alta resistência — aliado à tecnologia de impressão tridimensional. Produção por R$ 800 Os investigadores também alertaram para a facilidade de fabricação das chamadas “armas fantasmas”, que podem ser produzidas dentro de casa com equipamentos relativamente simples. Segundo o delegado Marcos Buss, titular da 32ª DP (Taquara), um dos modelos investigados na operação é a carabina Urutau, criada por um brasileiro que usava o pseudônimo “Zé Carioca”. "Em 2024, um indivíduo escondido pelo pseudônimo de Zé Carioca, ele desenvolveu uma nova carabina, que ele denominou de Urutau, que pode ser integralmente fabricada por uma impressora 3D, com conhecimento básico de engenharia metalúrgica", explicou o delegado. delegado Marcos Buss, titular da 32ª DP (Taquara) ao lado do secretário da Polícia Civil Felipe Curi. Reprodução TV Globo De acordo com o delegado, o modelo representa um avanço em relação a versões anteriores de armas impressas em 3D, porque pode ser produzido praticamente sem peças regulamentadas. "Essa carabina Urutau ela pode ser fabricada integralmente na casa das pessoas", disse ele. Ainda segundo Buss, o próprio desenvolvedor do projeto oferecia orientações técnicas para quem comprasse o modelo, incluindo instruções sobre como fabricar partes metálicas da arma. "Esse indivíduo ele fornece uma consultoria para quem o procura. E ele desenvolveu um processo de metalurgia, denominado eletroerosão, um processo simplificado que permite que dentro da sua casa seja possível montar um cano raiado". Esse processo permitiria produzir um cano raiado — componente que dá precisão ao disparo — mesmo com equipamentos simples. "Ou seja, essa carabina ela tem precisão de uma arma de fogo profissional". Segundo os investigadores, a fabricação de uma arma poderia custar cerca de R$ 800, utilizando uma impressora 3D de baixo custo e materiais acessíveis. Radicalização e grupos terroristas Durante a coletiva, o procurador-geral de Justiça do Rio também alertou para os riscos de disseminação desse tipo de armamento entre grupos radicais e até organizações terroristas. Segundo Antônio Moreira, além da atuação de organizações criminosas tradicionais, a facilidade de produção de armas com impressoras 3D pode atrair outros perfis de usuários, estimulados por discursos que defendem o acesso irrestrito ao armamento. "Esse grupo estimula pessoas, sobretudo, jovens a fazer e portar armas de fogo, com o argumento que esse seria um direito de todos. Isso é muito perigoso porque retira do Estado e dos órgãos responsáveis pela fiscalização de controle, produção e circulação de armas, qualquer possibilidade de controle". Algumas das armas produzidas em impressoras 3D Reprodução O procurador afirmou ainda que a tecnologia pode ampliar a circulação de armas fora de qualquer sistema de rastreamento ou fiscalização. "Essas armas podem inclusive ser utilizadas não somente pelas organizações criminosas tradicionais, comando vermelho e outros, por cidadãos comuns e por grupos de fanáticos, por grupos terroristas". "Isso é preocupante em um mundo polarizado, com muito radicalismo. E essa facilidade na produção e circulação de armas de fogo produzidas a partir de um simples projeto digital com a utilização de uma impressora 3D é algo extremamente preocupante". Investigação começou após alerta internacional A investigação que levou à operação teve início após um alerta enviado ao Brasil por um organismo internacional. Segundo Antônio José Campos Moreira, o comunicado chegou ao país por meio do Ministério da Justiça. "Tudo se iniciou a partir de um comunicado recebido do Ministério da Justiça (...) informações repassadas ao Brasil por um organismo Norte Americano. A partir dessas informações houve a instauração de um procedimento investigatório no âmbito da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com a participação do Gaeco". Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios Reprodução De acordo com o procurador, o caso revela como o ambiente virtual tem sido usado para a prática de crimes complexos. "O ambiente virtual tem servido de cenário, de palco para a prática de inúmeros crimes. Crimes praticados no ambiente virtual, sobretudo, cujo a investigação é difícil". Operação mira esquema em 11 estados A Operação Shadowgun foi deflagrada pela Polícia Civil do Rio, pelo Ministério Público do Estado e pelo Ministério da Justiça para desarticular um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D. Até a última atualização da operação, quatro homens haviam sido presos, incluindo o apontado como chefe da quadrilha, localizado em Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão e 36 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros nove estados. Segundo as investigações da 32ª DP (Taquara) e do CyberGaeco do MPRJ, o grupo produzia principalmente carregadores de armas e divulgava projetos de “armas fantasmas”. A apuração também identificou 79 compradores em todo o Brasil, incluindo pessoas com condenações por tráfico de drogas, homicídio, roubo e porte ilegal de armas. No Rio de Janeiro, foram identificados 10 compradores, na capital, na Região dos Lagos e no Norte Fluminense. Os investigados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/12/quadrilha-que-vendia-armas-feitas-em-impressoras-3d-oferecia-tutorial-e-acompanhamento-tecnico.ghtml


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