Sérgio Cabral pediu ajuda a Rodrigo Bacellar para interceder em processo na Justiça, diz PF
27/02/2026
(Foto: Reprodução) Rodrigo Bacellar, TH Joias e mais 3 são indiciados pela PF por ligação com o CV
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-governador Sérgio Cabral pediu ajuda ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Alerj, para interceder em um processo a que respondia na Justiça.
Segundo a PF, mensagens trocadas em maio de 2025 indicam que Cabral solicitou a retirada de pauta de um julgamento na 6ª Câmara de Direito Público.
Em 22 de maio, Cabral escreveu: “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. Desculpa te perturbar com isso. Mas será terça. Só pedir para retirar de pauta.” Bacellar responde: “Te falo”.
Cinco dias depois, em 27 de maio, Cabral voltou a procurar o deputado. Às 11h18, escreveu: “Irmão! Saiu de pauta o meu processo”. Em seguida, enviou: “Você é um querido!!!! Te amo, amigo!!!”
O g1 tenta contato com as defesas de Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar.
Sérgio Cabral
Reprodução
Bacellar indiciado
As mensagens constam no inquérito que indiciou Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras 3 pessoas por suspeita de vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.
Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que resultou na prisão de TH Joias.
Mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, e no dia 9 de dezembro Bacellar deixou a prisão.
TH Joias foi preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele é suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho e de utilizar o mandato parlamentar para favorecer a facção.
De acordo com a investigação, a organização criminosa infiltrava-se na administração pública para garantir acesso a informações sigilosas e assegurar impunidade. Os alvos respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Macário Judice Neto, que chegou a ser preso no curso das investigações, não foi indiciado. Segundo a PF, a decisão segue as regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.