Servidores são afastados por suspeita de desvio de recursos da educação para jogo do Tigrinho, diz Secretaria
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Servidores da Educação são afastados por suspeita de desvio de verba para apostas on-line
Servidores estaduais da Educação de Goiás foram afastados de suas funções por suspeita de desvio de recursos de escolas para uso em jogos on-line de apostas, entre eles o chamado "Jogo do Tigrinho". De acordo com a Secretaria estadual de Educação (Seduc), os casos foram descobertos por meio de uma investigação que ainda está sendo realizada pela corregedoria da pasta.
Segundo a Seduc, atualmente há cerca de 15 processos administrativos em andamento, em fase de investigação. Ao g1, a assessoria da Secretaria afirmou que não será divulgado o número total de servidores envolvidos. Em nota, a pasta disse que as apurações "seguem rigorosamente os trâmites legais e administrativos previstos na legislação vigente" e que estão sob segredo de justiça.
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Como os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela secretaria, o g1 não conseguiu localizar as suas defesas. Já a Polícia Civil disse que não há como passar informações sobre a investigação sem a identificação dos servidores.
De acordo com a Seduc, os primeiros relatos sobre os desvios aconteceram há dois anos. Os servidores ocupavam cargos de gestão e de assessoria financeira nas escolas. Entre os envolvidos há tanto servidores efetivos quanto contratados. A secretaria não divulgou o valor total desviado, mas informou que os recursos foram repostos, para não prejudicar os alunos das unidades afetadas.
Em entrevista à TV Anhanguera, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, afirmou que as apurações identificaram que os servidores desenvolveram vício nesses jogos.
"Na investigação, nas oitivas (depoimentos), as pessoas denunciam que as pessoas já tinham feito financiamento no banco, já estavam endividadas", disse.
Segundo Gavioli, os desvios foram identificados em várias cidades, incluindo Goiânia, Pires do Rio e Itaberaí. "Nós temos casos espalhados pelo estado", afirmou.
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Desvio de R$ 90 mil
De acordo com apuração da repórter Isabelle Saleme, da TV Anhanguera, em apenas uma das escolas, os desvios aconteceram durante três meses e chegaram a R$ 90 mil.
Uma auxiliar administrativo de uma escola em Itaberaí, que se apresentou à polícia espontaneamente, disse que era responsável pelos pedidos e pagamentos de materiais com as verbas enviadas pelo governo. No depoimento, a mulher informou que desviou o dinheiro para investir em um jogo on-line, chamado "Jogo do Tigrinho", em que "para participar das partidas, é necessário fazer depósitos de valores em dinheiro".
Em outro trecho, a servidora disse, ainda que "a sua intenção era investir o dinheiro no jogo e recuperar o valor para depositar novamente na conta bancária da escola", mas que foi perdendo todo o dinheiro no decorrer do tempo.
Servidora de escola de Itaberaí confessou os desvios que fez ao longo de três meses, totalizando cerca de R$ 90 mil
Reprodução/ TV Anhanguera
Empresas fazem alerta
Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representam as empresas de jogos e apostas esportivas que atuam no Brasil, afirmaram que o setor que os jogos devem ser para entretenimento e que, caso jogadores percebam algum comportamento compulsivo, há mecanismos para evitar o desenvolvimento do vício.
Leia abaixo as íntegras das notas das entidades:
Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL):
"A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e suas associadas reforçam o conceito de que o jogo deve ser apenas entretenimento. Caso apostadores e pessoas de seu entorno, como amigos e familiares, identifiquem comportamentos nocivos, devem buscar ajuda. Vale destacar que as plataformas autorizadas, após a regulamentação do setor, trazem soluções como ferramentas de autoavaliação e autoexclusão para atender apostadores com este perfil".
Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR):
"O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) - entidade que reúne as maiores operadoras de apostas do Brasil e do mundo - esclarece que o setor de apostas regulamentado e licenciado pela Secretaria de Prêmio e Apostas (SPA) garante a proteção do apostador. Ele conta com mecanismos de limites de tempo e depósitos, ferramentas de auto exclusão, além de reconhecimento facial e proibição do uso de cartões de crédito e criptomoedas para evitar o endividamento.
O maior risco para o apostador reside no mercado clandestino, sites que estão fora do domínio .bet.br.
Segundo o estudo 'Dimensionamento e impactos socioeconômicos do setor ilegal de apostas no Brasil', realizado pela LCA Consultoria Econômica e apoiado pelo IBJR, aponta que 51% do mercado, estimado em volume de apostas, ainda opera em bets clandestinas. Os dados são norteados pela pesquisa 'Incidência de Apostas Ilegais no Brasil', do Instituto Locomotiva, que mapeia o comportamento do apostador e revela que cerca de 78% das pessoas dizem não saber diferenciar uma bet regulamentada de uma clandestina. Essas informações evidenciam a urgência de combater de forma efetiva as casas ilegais, que além de canibalizar as regulamentadas — que recolhem impostos e segue rígidas normas de compliance — expõe os brasileiros a riscos como fraudes, manipulação de resultados e lavagem de dinheiro.
Nossa entidade oferece em seu site dicas de jogo responsável tanto para os apostadores quanto para as operadoras".
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