Taxistas do Rio temem perder trabalho após Justiça suspender lei que permitia táxis com mais de 10 anos
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Taxistas do Rio temem perder trabalho após Justiça suspender lei que permitia táxis com mais de 10 anos
Taxistas do Rio de Janeiro demonstraram preocupação, nesta quinta-feira (29), após o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) suspender a lei municipal que autorizava a circulação de táxis com mais de 10 anos de fabricação.
A decisão reacendeu o temor do desemprego entre motoristas, que afirmam não ter condições financeiras de trocar de veículo para continuar trabalhando.
No ponto de táxi de Madureira, na Zona Norte do Rio, motoristas relataram incerteza sobre o futuro da profissão. Muitos afirmam que, diante da dificuldade para financiar um carro novo, optaram por investir em reformas completas nos veículos para mantê-los em boas condições de uso.
A lei, aprovada pela Câmara Municipal e publicada em agosto de 2024, permitia a circulação de táxis com mais de 10 anos de fabricação, desde que os veículos passassem por vistoria física anual para garantir condições de conservação, segurança, conforto e funcionamento.
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Taxistas se reúnem para discutir a suspensão da lei que permitia a circulação de veículos com mais de 10 anos no Rio
Reprodução/TV Globo
Nesta semana, porém, a norma foi suspensa pela Justiça. Segundo os desembargadores, a liberação de veículos mais antigos pode representar riscos à segurança dos passageiros e causar impactos ao meio ambiente.
Profissionais afirmam que os investimentos feitos nos carros foram altos e, em muitos casos, parcelados. José Antônio Santos diz que gastou cerca de R$ 25 mil em melhorias estruturais.
“Uns trocaram motor do carro, mais de 10 mil reais de reforma, pintura, estofamento, mecânica, suspensão. Ao invés de gastar 100 mil num carro zero, que não temos condição, gastamos 20 ou 25 mil numa reforma estrutural pra que o táxi tenha condições plenas de atender a população”, afirmou.
Ricardo Barbosa conta que também fez reformas recentes e agora vive um momento de aperto financeiro.
“Reformei o motor do meu carro, gastei em torno de 10 mil reais. Forrei os bancos, gastei mais mil. Foram 11 mil reais, tudo parcelado no cartão de crédito. Hoje eu me encontro numa condição difícil de trocar de carro”, disse.
Para alguns motoristas, a suspensão da lei pode significar o fim da atividade profissional. Alexandre Figueiredo afirma que o carro garante a subsistência da família.
“O carro só está dando pro sustento mesmo. É muito difícil. A hipótese de trocar de carro passa bem longe. Se continuar isso aí, acabou meu trabalho. Tô desempregado, essa é a verdade. Depois de 24 anos na profissão”, desabafou.
Na noite desta quarta-feira (28), cerca de 200 taxistas fizeram uma carreata no Aterro do Flamengo para protestar contra a decisão. A categoria pede a criação de uma linha de crédito específica para motoristas com veículos mais antigos.
“Se a prefeitura lançasse uma linha de crédito, como a AgeRio, que desse prioridade aos carros mais velhos, a solução seria mais viável. Hoje estamos altamente dependentes que o prefeito libere esse decreto pra ter condições de continuar trabalhando”, afirmou José Antônio.
Alexandre Figueiredo trabalha como taxista há 24 anos e teme ficar desempregado
Reprodução/TV Globo
Medida divide opiniões
Entre os usuários do serviço, as opiniões sobre a circulação de táxis mais antigos divergem. O hoteleiro Paulo Cesar Conceição acredita que o estado de conservação do veículo deve ser o principal critério.
“Eu não acho tão velho assim. Tem carros que são bem conservados. Se estiver bem conservado, não tem problema pra mim, de forma alguma”, disse.
Já a dona de casa Juçara Vargas prefere veículos mais novos.
“Prefiro novo, com certeza. Um novinho vai ter ar-condicionado, não vai ter banco rasgado como a gente costuma ver. Aí melhora bastante”, afirmou.
Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura do Rio não havia se manifestado sobre a situação dos taxistas.
Táxis com mais de 10 anos de fabricação não podem circular no Rio
Reprodução/TV Globo