UFS desenvolve procedimento até 90% mais barato para reconstrução de cascos de jabuti
10/03/2026
(Foto: Reprodução) UFS desenvolve procedimento até 90% mais barato para reconstrução de cascos de jabuti.
UFS/Reprodução
Uma equipe do hospital veterinário da Universidade Federal de Sergipe (UFS) conseguiu realizar um procedimento com enxertos para recuperação de lesões em cascos de jabuti. A utilização das lâminas sintéticas iniciou em 2018 e alcançou sucesso com 80% a 90% de redução do custo quando comparado a métodos mais tradicionais, segundo o professor Departamento de Medicina Veterinária, Victor Fernando Santana.
O primeiro paciente da equipe foi um jabuti-piranga atropelado por um trator de cerca de três mil quilos. O animal teve a carapaça praticamente rachada ao meio, o que motivou os pesquisadores a buscar alternativas, chegando a essa versão com possibilidade de atender espécies adultas e jovens.
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Além da flexibilidade e do baixo custo, o material utilizado é considerado atóxico e impermeável, o que ajuda a proteger a carapaça contra infecções. A equipe também trabalha no desenvolvimento de novas placas que possam incluir medicamentos para potencializar o processo de cicatrização.
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O hospital veterinário da UFS mantém parcerias com órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), que encaminham animais silvestres para tratamento.
Caso Rosinha
Um dos casos mais emblemáticos acompanhados pela equipe é o da jabuti conhecida como “Rosinha”, que está em tratamento há cerca de três anos. De acordo com o médico veterinário João Victor, o animal sofreu queimaduras de segundo grau que provocaram a perda de placas córneas e ósseas da carapaça, deixando tecidos internos expostos.
O tratamento envolve manutenções periódicas na estrutura aplicada sobre o casco, geralmente a cada seis meses ou um ano. Segundo o veterinário, o material apresenta alta durabilidade e boa adaptação ao crescimento do animal.
“Ele oferece resistência ao dano físico, mas também flexibilidade, se adaptando ao crescimento do animal sem prejudicar a anatomia do casco. Além disso, tem baixo índice de rejeição e custo muito menor quando comparado a outros procedimentos”, destacou.
Os pesquisadores também têm compartilhado os resultados da técnica em congressos e publicações científicas. Segundo a equipe, o método já começa a despertar interesse de outras instituições e pode contribuir para ampliar o tratamento de quelônios feridos em diferentes regiões do país.