'Visto de Ouro' de Trump para atrair estrangeiros ricos é um fracasso
03/05/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um evento na Flórida, EUA, em 1º de maio de 2026.
REUTERS/Nathan Howard
O número de candidatos ao visto "Gold Card" (Cartão de Ouro), lançado pelo presidente Donald Trump para atrair milionários para os EUA, tem ficado muito aquém das expectativas do governo americano. Muito aquém mesmo.
Anunciado em fevereiro de 2025 e colocado em prática em setembro, o programa prevê que estrangeiros desembolsem US$ 1 milhão para assegurar uma permissão de residência acelerada nos EUA.
No entanto, sete meses depois da implementação, o programa só atraiu 338 interessados.
E, entre essas 338 pessoas, segundo números do governo dos EUA, apenas 165 pagaram a taxa inicial de processamento de US$ 15 mil. Destas, 59 avançaram para uma etapa subsequente de preenchimento de dados e análise do formulário pelo governo.
E, no final de abril, só uma pessoa havia efetivamente desembolsado US$ 1 milhão e sido aprovada para o "visto de ouro".
Isso foi admitido no fim de abril pelo secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, durante uma sabatina no Congresso.
A realidade exposta na sabatina contrastou com declarações anteriores de Lutnick. No início do ano passado, o secretário chegou a alardear um potencial de venda de 200 mil vistos. Posteriormente, em junho, ele afirmou que o programa já havia atraído "70 mil interessados".
Há um ano, Lutnick também afirmou que o Gold Card poderia arrecadar US$ 1 trilhão em receita e que ajudaria a "equilibrar o Orçamento" dos EUA. A dívida pública do país é de US$ 31,3 trilhões.
Mesmo diante de números muito distantes dos propagandeados no lançamento do programa, Lutnick tentou demonstrar satisfação com os resultados do programa durante a sabatina no Congresso. Embora apenas uma pessoa tenha sido aprovada, "há centenas na fila que estão sendo analisadas", disse Lutnick.
"Desbloqueie a vida na América"
O Gold Card visa substituir o EB-5, um programa que existia há décadas e que oferecia vistos americanos para pessoas que investissem cerca de US$ 1 milhão em uma empresa com pelo menos 10 funcionários. O programa de Trump também prevê que empresas paguem US$ 2 milhões para garantir a residência de um funcionário estrangeiro, juntamente com uma taxa de manutenção anual de 1%.
O site governamental do programa exibe o slogan "Desbloqueie a vida na América" e passa longe do princípio da impessoalidade: logo no topo há uma imagem de um cartão dourado que mostra o semblante de Trump, ao lado de uma águia, a Estátua da Liberdade e a assinatura do presidente.
O site também anuncia os planos de um futuro "Cartão Platina Trump" no valor US$ 5 milhões, que prevê que seu titular possa "passar até 270 dias nos EUA sem estar sujeito a impostos americanos sobre renda obtida fora dos EUA".
Não há ricos suficientes no mundo para o Gold Card
Embora Trump tenha focado sua campanha presidencial na promessa de deportação de imigrantes sem status legal, o republicano se mostrou mais favorável à imigração de pessoas de alta renda para os EUA, algo que o programa do visto dourado poderia facilitar. "Pessoas ricas virão para o nosso país comprando este cartão", disse Trump no ano passado. "Serão pessoas ricas e bem-sucedidas, que gastarão muito dinheiro, pagarão muitos impostos e empregarão muitas pessoas."
No entanto, uma reportagem de abril da revista americana Fortune, apontou que mesmo antes da implementação do programa já existiam dúvidas sobre sua viabilidade e as projeções mirabolantes de arrecadação simplesmente porque não existem tantos ricos no mundo interessados em viver nos EUA.
A reportagem cita dados da consultoria Knight Frank, que estima que existam cerca de 713 mil pessoas no mundo classificadas como indivíduos com patrimônio líquido ultra-elevado (UHNWIs, na sigla em inglês), ou pessoas com patrimônio superior a US$ 30 milhões, o público-alvo do programa de visto dourado de Trump. Só que destas, mais de 40% já vivem na América do Norte.
Imagem 'cartão ouro' da imigração americana, uma versão do 'green card' que custa um milhão de dólares.
Reprodução/trumpcard.gov
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