Vorcaro diz que área de fiscalização do BC agiu com diligência normal sobre negócios com BRB até a sua prisão
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, disse à Polícia Federal que a diretoria de Fiscalização do Banco Central, sob o comando de Ailton de Aquino Santos, agiu com diligência normal sobre o negócio com BRB até o dia de sua prisão e da liquidação do Master.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
O blog teve acesso a uma transcrição do depoimento dado por Vorcaro à PF em dezembro, na investigação sobre fraudes ligadas ao Master. O responsável pelo inquérito é o ministro Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Vorcaro, essa diligência foi mantida até o dia 17 de novembro de 2025 (data de sua prisão). Ele afirmou que o Banco Central não emitiu qualquer alerta ao BRB sobre a situação do Banco Master antes do BRB continuar adquirindo carteiras de crédito em 2025.
Ainda de acordo com Vorcaro, a área de fiscalização do Banco Central acompanhou diariamente os temas relacionados tanto ao Banco Master quanto às negociações envolvendo o BRB e as carteiras de crédito, e que a autarquia reconhecia, em seus próprios relatórios, que acompanhava cada passo da instituição.
Vorcaro sustenta que o BC não apenas sabia, mas acompanhou o processo de aquisição da Tirreno, a venda para o BRB e o posterior dissolução da operação.
Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro
Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução
LEIA MAIS
Entenda o que está por trás da liquidação do Banco Master
Vorcaro diz à PF que venda do Master ao BRB foi construída tecnicamente dentro do BC
Não consigo citar individualmente quem frequentava a minha casa, diz Vorcaro à PF sobre relações políticas
Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio
Vorcaro diz que avisou a PF sobre viagem e que nem nos piores pesadelos esperava ser preso
Segundo a transcrição, Vorcaro avaliou que o assunto das carteiras acabou sendo considerado encerrado internamente, uma vez que teria sido substituído por outras frentes de discussão, como a tentativa de conclusão da aquisição societária, que não se concretizou, e posteriormente a busca por investidores estrangeiros.
Na visão de Daniel Vorcaro, a área de fiscalização atuava diligentemente para construir uma saída que preservasse o sistema financeiro, em contraste com a Diretoria de Organização Financeira, que ele acusa de ter agido para forçar a liquidação do banco.